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O que é ser bancário hoje?

Por Julio Cesar Machado - Pres. do Seeb Sorocaba




É preciso ser tolerante, visionário, insensível, agressivo, desumano?

É necessário suportar gritos, insinuações e simplesmente baixar a cabeça para tudo?


A realidade mostra que existem gestores que, por meio da agressividade, além de não atingirem os objetivos, destroem a vida de quem trabalha com eles. Criam uma legião de trabalhadores adoecidos, com baixa autoestima e, muitas vezes, encaminhados à demissão.


Para piorar, e talvez esse seja o ponto mais grave, essas práticas também afetam os próprios interesses da instituição financeira. Em um momento em que o discurso é de modernização com a inteligência artificial, o que vemos é o descarte do ser humano.


Não podemos ignorar o avanço das cobranças abusivas, das metas inalcançáveis, da produtividade extrema e da busca incessante pelo lucro. Quem está no comando recebe; quem executa, espera o fim do ano para tentar alcançar a tão desejada PLR.


O gestor local tem sua parcela de responsabilidade. Mas quando os excessos vêm dos níveis mais altos, parece que não há limites.


Em um grande banco da base de Sorocaba, a situação chegou a um ponto alarmante: equipes pressionadas a fechar o mês antes mesmo do início do Carnaval. Vídeos com gritos e agressividade tornaram-se frequentes. Ameaças são constantes: quem não consegue ofertar crédito é considerado inútil para a instituição.


O medo tem sido o maior inimigo. Sem denúncias formais, torna-se difícil avançar.


Um exemplo recente foi a demissão de um diretor responsável por uma das principais áreas do banco, já conhecido por diversas denúncias. Com atuação firme do sindicato, esse caso foi finalmente resolvido. Mas ainda existem muitos outros que interrompem carreiras, destroem lares e adoecem trabalhadores com atitudes violentas.


Precisamos de mais relatos, mais detalhes sobre o tratamento abusivo que vem sendo praticado dentro do Banco.


Isso precisa acabar.


O problema não está na base.

A verdadeira falha está no topo, e não no chão das agências.

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