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Banco do Brasil vira “cobaia” da reforma administrativa


Maior banco público do país, o Banco do Brasil se transformou em uma espécie de “cobaia” da reforma administrativa que o governo federal pretende fazer na Esplanada. A instituição financeira lançou nesta semana um programa que reduz o número de cargos comissionados, corta, na média, em 10% as gratificações, e dará prêmios maiores, de até quatro salários por ano, aos que tiverem melhor desempenho.

“Com certeza, o programa do Banco do Brasil será uma grande vitrine para mostrar que a reforma administrativa que pretendemos fazer tem por objetivo tornar a máquina pública mais eficiente e menos custosa”, diz um técnico do Ministério da Economia. “Nossa meta é valorizar os melhores profissionais, fazer valer a meritocracia, com serviços de melhor qualidade à população. É o que o BB pôs em prática”, acrescenta.

Segundo o Banco do Brasil, o novo modelo de remuneração, premiação e avaliação de funcionários prevê impulsionar a alta performance dentro da empresa, com foco na valorização do desempenho dos funcionários e no incentivo ao desenvolvimento profissional.

“As medidas são fruto de longo estudo feito a partir de pesquisa de mercado no segmento bancário e buscam preparar o banco para os novos desafios e oportunidades do setor financeiro, em constante transformação”, ressalta a instituição e nota enviada ao Blog.

Performa

O BB explica que o programa, batizado de Performa, amplia o público-alvo do Programa de Desempenho Gratificado (PDG) para todos os funcionários, com aumento dos percentuais de contemplados e dos valores das premiações por performance. Atualmente, a premiação está restrita aos empregados lotados nas redes de atendimento.

O Performa prevê ainda um ajuste no modelo de remuneração fixa para todas as funções de confiança e as funções gratificadas. Aqueles que forem promovidos terão um acréscimo menor nos salários, contudo, terão chance de receber premiações maiores.

O BB garante que não haverá “qualquer redução na remuneração atual dos funcionários”. O banco, porém, promoverá ajustes “nas funções de confiança do segmento assessoramento, ajustes de nomenclaturas, criação e extinção de funções”. Isso, acrescenta a instituição, permitirá melhora do sistema de avaliação interno com o objetivo de potencializar e reconhecer o desempenho dos funcionários.

Segundo o BB, a partir do segundo semestre de 2020, “todos os funcionários farão parte do público-alvo do programa”. E garante: o número de “premiados” aumentará 68%, podendo beneficiar 37 mil funcionários, o que representa 40% do total. “Além disso, os valores da premiação estão mais atrativos”, frisa.

Acima do mercado

Uma das justificativas para o novo programa de gratificação, de acordo com o Banco do Brasil, foi o fato de os valores pagos pela instituição às funções de confiança e gratificadas serem superiores aos praticados no mercado. Ou seja, o BB tem pagado gratificações maiores do que as instituições privadas.

“Diante da necessidade de busca constante de eficiência e de manter a competitividade, o banco revisou a remuneração fixa das funções de confiança e gratificadas. Com isso, o reduziu os valores que foram identificados como acima da média do mercado e aumentou os que se mostraram defasados (gerentes de relacionamento PAA, private sofisticado e corporate upper middle).”

Diante da repercussão do Performa dentro do banco, a diretoria da instituição tem ressaltado que “nenhum funcionário terá sua remuneração reduzida”. Em comunicado interno, o comando do BB frisa que “os funcionários que já ocupam funções de confiança ou gratificadas continuarão recebendo a mesma remuneração e ainda poderão ampliar seus ganhos, a partir do próximo semestre, com o aumento de público e de oportunidades do Programa de Desempenho Gratificado”.

Os novos valores referentes às funções de confiança e gratificadas serão recebidos apenas pelos funcionários que forem promovidos a partir de 3 de fevereiro último. No mesmo programa, o BB pretende estimular a ascensão da carreira em “Y”. Para isso, foram criadas funções de especialista I, especialista II e especialista III, que terão posições hierárquicas similares a gerente executivo, gerente de soluções e gerente de equipe, respectivamente.

Correio Braziliense

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