O Santander quer seu sangue


Em comunicado no qual chama bancários de “irmãos e irmãs”, presidente do Santander no Brasil, Sérgio Rial, exige que trabalhadores da Rede tenham CPA-20 até o final do ano e determina que “tripliquem o valor de venda por metro quadrado”

Em novo comunicado, distribuído via Now, o presidente do Santander no Brasil, Sergio Rial, determinou que todos trabalhadores da Rede obtenham a certificação CPA-20 até o final de 2020. Além disso, em uma ameaça velada aos bancários de lojas físicas, Rial impõe o “desafio” de “triplicar o valor da venda por metro quadrado”.

Qualificação

“No ano passado, exigimos a barra mínima de CPA 10 para todos no Varejo e vamos em busca de que toda a Rede tenha CPA 20 AINDA NESTE ANO. Também em 2020, pensaremos na qualificação mínima para todos nas áreas de apoio. Instituímos a máxima `ninguém fica para trás´, para ajudarmos todos os irmãos e irmãs do Santander a chegarem lá, e não ficarem na cola da dispersão”, diz Rial no comunicado.

A dirigente do Sindicato e bancária do Santander Lucimara Malaquias lembra que a exigência de qualificação CPA-10, em 2019, foi traumática para muitos bancários.

“Qualificação é importante, mas isso não pode ser instrumento de assédio e demissões, como foi no caso do CPA-10. Chamar os bancários de ´irmãos e irmãs´ e falar em `ninguém fica para trás´ fica bonito no discurso, mas sabemos que a realidade no Santander é bem diferente. No ano passado, muitos bancários não conseguiram a certificação em CPA-10 justamente por desenvolverem quadros graves de ansiedade e pânico durante o processo”, critica.

Selic

Em outro trecho do comunicado, Rial diz que com a Selic a 4,25% espera “mais vendas de consórcio, produto que faz sentido a uma SELIC de 4,25%” e utiliza o resultado dos canais digitais como forma de pressão para bancários de lojas físicas.

“Quero ver as melhores lojas vendendo cartões, mas muito além do que já fazemos no canal digital, ou seja, vendendo mais de 100 mil cartões todos os meses. Não quero comprar a premissa de que o canal digital pode tudo – acredito no canal físico, mas me ajudem a manter essa crença”, enfatizou o presidente do Santander.

“É impressionante como a queda na Selic serve de pretexto para Rial impor metas cada vez mais abusivas para os trabalhadores do Santander. Porém, o mesmo argumento não vale para o Santander reduzir juros e tarifas de outros produtos, que fazem muito sentido para a atual Selic”, contrapõe Lucimara.

“Se analisarmos friamente este trecho do comunicado, tirando o linguajar motivador que Rial tenta colocar no texto, o que temos é uma ameaça velada aos trabalhadores de lojas físicas. Algo como: `este é o resultado do canal digital. Vendam, vendam e vendam e alcancem esse resultado para que eu continue acreditando que vale a pena manter as agências físicas e, por consequência, o emprego de vocês”, acrescenta.

Desafio

Por fim, Rial impõe um “desafio” para bancários de agências físicas: “TRIPLIQUEM o valor de venda por metro quadrado de cada loja” e encerra o comunicado com a frase “Mostre a sua cara, Loja Santander!”

“O comunicado inteiro é de um cinismo surreal. No segundo parágrafo, Rial fala que bancários devem estipular metas trimestrais, dadas por eles próprios, e no final impõe ele mesmo a meta de triplicar o valor de venda por metro quadrado. Em resumo, o comunicado passa uma única mensagem: mostrem que vocês valem a pena para assim garantir o emprego. Ele quer o sangue dos bancários para acreditar no atendimento presencial, mas o banco não revisa processos internos, não promove melhorias sistêmicas e não contrata mais trabalhadores. Uma postura assediadora por parte da presidência do banco, que parece ter o objetivo de ser reproduzida por toda cadeia hierárquica da empresa”, critica a dirigente do Sindicato.

“A direção do Santander utiliza a Selic para aumentar metas, pressionar e assediar os bancários. Por outro lado, a mesma Selic foi utilizada como argumento para congelar contratações e promoções até abril. Enquanto isso, as demissões seguem a todo vapor. O resultado dessa equação só pode ser sobrecarga de trabalho, assédio moral e adoecimento cada vez maior dos trabalhadores. Um desrespeito com os bancários brasileiros do Santander, que garantem a maior fatia do lucro global da empresa”, conclui Lucimara.

SEEB SP

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