Futuro virtual: profissionais digitais são os mais cobiçados pelas empresas


Necessidade de reinventar o modelo de negócio cria oportunidades no mercado de trabalho. Segundo estudo da consultoria Talenses, 88% das organizações precisam de especialistas na área.

Empresas constituídas antes do surgimento da internet enfrentam um grande desafio. Muitas regras que orientavam o avanço dos negócios na era pré-digital não se aplicam mais ao mundo atual. A boa notícia é que há um caminho possível para que as companhias se adaptem aos novos tempos: a transformação digital.

Apesar de a expressão ser bastante utilizada, há muita confusão a respeito do que é, de fato, “transformação digital”. Para as empresas, não significa apenas digitalizar sistemas e processos. Trata-se principalmente de ações em que as companhias fazem uso da tecnologia para melhorar o desempenho, aumentar o alcance e garantir resultados melhores.

A boa notícia é que as empresas estão atentas a essa transformação. Segundo o estudo inédito Paradigma Digital, realizado pela consultoria de recrutamento executivo Talenses em parceria com a Digital House, hub de educação para a formação de profissionais de alta performance para o mercado, 88% das companhias pesquisadas admitem que precisam de profissionais da área para se tornar mais competitivas.

“Vivemos um momento de grande transformação no mercado de trabalho”, diz Luiz Valente, CEO da Talenses Group. “As empresas estão sendo obrigadas a se reinventar e acompanhar o surgimento de novos cenários a cada ano. A transformação digital é um dos principais fatores que levam as organizações a repensar o modo como conduzem seus negócios.”

Carlos Alberto Julio, presidente da Digital House, afirma que as empresas já começaram a entender a importância dessa mudança, mas o caminho a trilhar ainda é muito maior do que aquele já percorrido. “Para ser bem-sucedido na nova economia, é preciso estar aberto ao aprendizado contínuo”, avalia.

A pesquisa revela, ainda, uma fotografia da organização digital das empresas brasileiras e as perspectivas de contratação dos cada vez mais cobiçados profissionais digitais. Carlos Alberto acrescenta que o estudo reforça o aumento da preocupação das corporações, assim como a crescente demanda por talentos digitais qualificados. A pesquisa foi feita com 102 empresas, no segundo trimestre de 2019. A maioria das participantes tem grande porte, acima de 500 funcionários, e sede no Sudeste do Brasil.

Os resultados são reveladores. Segundo o estudo, 92% das empresas do comércio buscam profissionais digitais, à frente da indústria (91%) e serviços (85%). Enquanto isso, a infraestrutura é o setor mais avançado digitalmente, apresentando nível satisfatório de digitalização entre 57% das empresas pesquisadas.

No ranking dos profissionais digitais mais requisitados estão analistas de dados, analistas de marketing digital e cientistas de dados. “A habilidade de coletar, organizar, analisar e concluir informações estratégicas baseadas em dados é a grande vantagem competitiva das empresas hoje em dia”, afirma Luiz Valente, da Talenses. “Os profissionais que desenvolverem essas habilidades sairão na frente.”

Perfil

A pesquisa também identificou o perfil procurado pelas grandes empresas. Segundo o estudo, o profissional digital deve ser inovador, estar aberto para o aprendizado contínuo e ter ampla facilidade de adaptação. Ao analisar o tema, Valente lembra que essas características não se referem apenas ao mercado digital. Afinal, segundo ele, “competências comportamentais são necessárias para profissionais de qualquer nível hierárquico”.

Apesar do crescimento de vagas voltadas aos profissionais digitais em vários setores, a pesquisa constata que muitas empresas não oferecem treinamento interno nem bolsas de estudo para o desenvolvimento dos profissionais. No setor de comércio, 50% delas proporcionam treinamento para o desenvolvimento do profissional digital. Na indústria, apenas 29% oferecem capacitação, enquanto no setor de serviços o índice é de 39%.

A carência de profissionais especializados no universo digital não é um problema exclusivamente brasileiro. Pesquisa recente realizada pela Microsoft revelou que as empresas têm se preocupado cada vez mais com o uso da Internet das Coisas (IoT). Entre as participantes do estudo, 88% acreditam que a IoT se tornará essencial para o sucesso da companhia e 94% alegam que vão utilizar a tecnologia dentro dos próximos dois anos. Em relação às áreas de aplicação, as mais afetadas são operações, produtividade dos empregados, segurança e logística.

O levantamento, porém, mostrou o outro lado da moeda: há uma série de obstáculos para a adoção em massa da IoT por parte das empresas. Capital humano capacitado foi um problema relatado por metade das companhias pesquisadas. A complexidade foi descrita como desafio para 38%, enquanto falta de recursos para investir na tecnologia foi citada por 29%, e 28% ainda não acharam aplicações adequadas dentro de seus negócios.

O estudo mostrou que a questão da segurança é quase uma unanimidade: 97% das empresas participantes do levantamento disseram que essa é uma preocupação relevante. O levantamento foi realizado com 3 mil líderes da área de tecnologia de companhias dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Japão e China.

Correio Braziliense

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