Impacto da recuperação judicial da Odebrecht na Caixa será residual ou nulo, diz presidente do banco


Pedro Guimarães afirmou que Caixa destinou recursos no balanço para compensar eventuais perdas. Investigada pela Lava Jato, Odebrecht teve pedido de recuperação judicial aceito na semana passada.

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou nesta segunda-feira (24) que o o impacto do processo de recuperação judicial da Odebrecht nos resultados da instituição financeira será “residual”, ou nulo.

Segundo ele, isso ocorre porque a Caixa já fez “todas as provisões [apartou recursos no balanço para fazer frente a eventuais perdas] no fim do ano passado”. Ele explicou que era "óbvio" que a recuperação judicial da empresa era "iminente" e que, por isso, a instituição reservou os valores.

“Qualquer perda que tenha, já está 100% provisionada ou 95%. O que não está provisionado, tem garantia de imóvel. Já teve perda de bilhões com a recuperação judicial, mas no balanço não haverá. Ou haverá residual. Só haverá perdas se as garantias de terrenos valham zero. Estamos muito tranquilos com nosso nível de provisionamento”, declarou.

De acordo com o presidente da Caixa, a instituição financeira está “muito tranquila” com relação a “várias empresas que não têm condição de continuar sem recuperação judicial”.

“A Odebrecht é uma delas. Tem mais 10 [cujos valores dos empréstimos também já foram provisionados]. Outras empresas, que não entraram ainda [em recuperação juficial]”, afirmou Guimarães, acrescentando que não são somente empreiteiras.

Questionado por jornalistas, o presidente da Caixa não informou o valor total de empréstimos do banco público com a Odebrecht. "É uma informação que eu não posso passar", disse.

Ele explicou que há três grupos de débitos com a empreiteira: crédito direto, via FI-FGTS e com aval e fiança. Somente em empréstimo direto, ele informou que o valor do empréstimo à empreiteira é de R$ 2,2 bilhões.

Recuperação judicial da Odebrecht

Na segunda-feira (17), o juiz da 1ª Vara de Falências de São Paulo, João de Oliveira Rodrigues Filho, aceitou o pedido de recuperação judicial levado pelo grupo Odebrecht - empresa envolvida em escândalo de corrupção com a Petrobras.

A holding do conglomerado e mais vinte empresas foram à Justiça na véspera pedir proteção contra credores e listaram dívidas totais de cerca de R$ 98 bilhões. Desse total, o grupo só pode ser alvo de cobrança de R$ 65,5 bilhões, pois R$ 33 bilhões são empréstimos trocados entre as companhias levadas para recuperação judicial.

Dados obtidos pela TV Globo apontam que os bancos públicos têm R$ 22,8 bilhões a receber. Desse montante, R$ 10 bilhões são devidos ao BNDES; R$ 7,8 bilhões ao Banco do Brasil; e outros R$ 5 bilhões à Caixa Econômica Federal. Já os bancos privados têm R$ 8,4 bilhões a receber: Bradesco R$ 4,4 bilhões; Itaú R$ 3,5 bilhões; e Santander R$ 500 milhões.

G1

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