O QUE O SINDICATO ESTÁ FAZENDO QUANTO À TERCEIRIZAÇÃO DA MÃO DE OBRA NO BRASIL?

Fui questionado sobre o que o sindicato está fazendo para impedir a terceirização da mão de obra no Brasil. Disse então, que há anos nosso sindicato vem denunciando, participando de passeatas, manifestações, elaborando panfletos, informativos, falando em rádio, postando no facebook sobre o assunto. Também sou chato ao encontrar trabalhadores nos hipermercados da vida, alertando dos perigos que corremos com respeito à terceirização da mão de obra no Brasil, que agrada somente aos patrões e logicamente aqueles que já se encontram na condição de terceirizados.
Disse também, que em diversos momentos durante as manifestações, no carro de som ou em passeata, falando a repeito deste assunto, via no semblante da população sorocabana, dos trabalhadores postados nas portas dos comércios, uma estranheza quanto ao que falávamos como se fosse um problema de “marte” ou tão somente do “sindicalista brasileiro”. Ficava preocupado e apelava para o bom senso de todos os que estavam ouvindo aquela fala para que procurassem saber dos perigos que corríamos, com a eminência de perdermos nossos direitos, conquistados durante anos de negociações com o patronato.
Lembrei-me de algumas falas - principalmente dos gerentes de bancos - de que a terceirização seria somente em alguns cargos ou funções e que nos bancos não aconteceria nada. Então eu rebatia as falas alertando para a realidade, de que o maior interessado na terceirização era o banqueiro e que havia destacado seu maior negociador (o mesmo que diz não às nossas reivindicações trabalhistas em período de campanha) para articular junto aos nossos deputados federais a aprovação do projeto. Citei o exemplo do México, aonde a terceirização chegou ao escalão inferior ao dono do banco e só ele permaneceu como categoria bancária.
Recordei-me também de ter ido duas vezes a Brasília, uma em nome do conselho sindical de Sorocaba para falar com o então presidente Lula e fomos recebidos pelo segundo escalão dos assessores da presidência, para o qual pedimos em nome da categoria trabalhadora que o projeto fosse barrado ou que ao menos tivéssemos voz para poder debatê-lo e na outra, as vésperas da eleição para deputado federal, quando fomos recepcionados pela polícia do congresso e impedidos de adentrar aquele espaço, enquanto que nossos “votados e eleitos”, entravam com seus patrocinadores de campanha e riam de nossa manifestação. Naquele momento, os deputados eleitos por nós trabalhadores, acharam por bem adiar a votação com medo do resultado das urnas, afinal estariam votando contra seus eleitores.
Hoje temos a lista de quem votou a favor da terceirização, inclusive os deputados que elegemos por Sorocaba e região, que digo tranquilamente “não com o meu voto”.
Participamos de palestras, discutimos com todas as categorias profissionais dentro do Ministério do Trabalho em Sorocaba e Região e fomos bem recebidos pelo Desembargador de Campinas, Doutor João Batista, que tem um posicionamento firme quanto aos prejuízos da terceirização. Também estivemos alinhados com a Associação dos Magistrados brasileiros, que alertou em muito, sobre os perigos da terceirização. Estivemos em evidência nacional, quando somente o movimento sindical sorocabano realizou ato público contra o projeto.
Vejo com espanto a atitude dos trabalhadores que ignoraram todas as nossas informações, todos os alertas, contrapondo as manifestações de rua a favor do impeachment, de querer saber quem iria pagar o pato, dos caras pintadas, dos inconformados, que sumiram de cena justamente quando corremos os maiores riscos, quando estamos por perder nossos direitos.
Continuamos defendendo todos os trabalhadores e estamos participando de atividades locais, regionais e até nacional, como no último dia 20 de março, elaborando um documento de repúdio a todas estas mudanças pretendidas pelos empresários brasileiros e que foi entregue dia 23 de março na câmara municipal de Sorocaba. No dia seguinte (24/03), houve reunião do grupo de trabalho dentro do sindicato dos metalúrgicos para discutir o conteúdo das reformas e no dia 25 (sábado), ato público contra as reformas na concha acústica em Sorocaba. No dia 27 (segunda-feira) organizamos o lançamento do fórum sindical, marcado para o próximo dia 31. Esta é a agenda do conselho sindical de Sorocaba e região, onde agregamos todas as categorias profissionais.
Somos vinculados á Central UGT (União Geral de Trabalhadores) e através dela, estamos discutindo todas as mudanças pretendidas pelo atual governo, dentro do senado brasileiro.
Temos gestão dentro da Federação dos Bancários de SP/MS, com a CONTEC (Confederação dos Trabalhadores em Empresas de Credito) em Brasília e ambas estão engajadas nas tratativas que possam impedir as mudanças radicais que planejam impor junto a nós trabalhadores.
Esta é a realidade do sindicato dos bancários de Sorocaba e região, nosso passo a passo e todas as oportunidades que demos aos trabalhadores bancários de tomar conhecimento do que estavam planejando para o futuro, o que – infelizmente – vivemos agora.
Afirmo que o que fizemos até agora é muito pouco, tendo em vista os prejuízos que teremos se estas mudanças forem efetivadas (terceirização, reforma trabalhista e previdenciária), mas a pergunta que não quer calar é: nós sabemos o que estamos fazendo a anos, agora “o que você tem feito para evitar estas mudanças?”
Julio Cesar Machado
Presidente do Sindicato dos Bancários de Sorocaba e Região





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