PIB do Brasil cai 3,6% em 2016 e país amarga segundo ano de queda
Em um ano marcado por turbulências políticas, a economia brasileira encerrou 2016 com queda de 3,6% no PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (7).
Foi o segundo ano seguido de queda do indicador, que já havia recuado 3,8% em 2015.
No acumulado de 2015 e 2016, a queda foi de 7,2% –o maior tombo em um biênio desde 1948.
RECESSÃO BRASILEIRA
PIB do país recua 3,6% em 2016
Investimentos e indústria têm queda e confirmam retomada mais lenta
Setor de maior peso no PIB, serviços têm queda no ano com menor consumo de famílias
Entenda o que é o PIB e como é calculado
Contrariando a expectativa do mercado, a economia encolheu 0,9% de outubro a dezembro, ante o trimestre anterior. Os analistas esperavam que essa queda fosse menor, de 0,5%.
O resultado do período representa a oitava redução consecutiva do PIB na comparação trimestral e a mais longa sequência de quedas da série histórica de contas nacionais do IBGE, iniciada em 1996.
Pela ótica da produção, dos três setores da economia, só a agropecuária avançou no quarto trimestre, com alta de 1%. Indústria e serviços caíram 0,7% e 0,8%, respectivamente.
"Nos serviços, todas as atividades apresentaram resultado negativo, especialmente os serviços de informação (-2,1%) e transporte, armazenagem e correio (-2,0%)", informou o IBGE.
Já pela ótica da despesa, o consumo das famílias teve queda de 0,6%, recuando pelo oitavo trimestre consecutivo. A formação bruta de capital fixo (investimentos) caiu -1,6%, e a despesa de consumo do governo teve ligeira alta, de 0,1%, praticamente estável em relação ao trimestre imediatamente anterior.
O recuo do PIB no quarto trimestre do ano passado foi maior do que o observado no terceiro trimestre (queda revista de 0,7%, contra recuo de 0,8% informado anteriormente), mas levemente melhor do a queda de 1,1% do último trimestre de 2015 quando comparado ao período imediatamente anterior.
Em relação aos últimos três meses de 2015, a redução foi de 2,5%.
2016
No ano, houve recuo em todos os setores da economia. A agropecuária caiu 6,6%, seguida pela indústria (queda de 3,8%) e pelos serviços, que recuaram 2,7%.
O PIB totalizou R$ 6,267 trilhões em 2016.
Já o PIB per capita –ou seja, a divisão do PIB pela população do país– teve queda de 4,4%, alcançando R$ 30.407.
Os investimentos sofreram um tombo em 2016, reduzindo 10,2% no acumulado do ano. O consumo das famílias, pressionado pela alta do desemprego e o endividamento, despencou 4,2% no mesmo período.
Impulsionadas pela desvalorização do real, principalmente no início do ano, as exportações expandiram 1,9% em 2016, enquanto as importações caíram 10,3%.
O consumo do governo, importante vetor de aquecimento de demanda no país, também teve queda no ano passado, de 0,6%. A queda, contudo, não chega a ser pior que a registrada um ano antes, de 1,1%.
No quarto trimestre, a queda foi de 0,1%, menos pior do que verificado no trimestre imediatamente anterior, que teve queda de 0,8%.
PARA FRENTE
A expectativa do mercado é que o desempenho no primeiro trimestre deste ano já esteja em terreno positivo. Para 2017, a projeção é de crescimento de 0,49% do PIB, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda (6).
A queda da inflação e a redução da taxa de juros pelo BC são as principais razões para o ânimo de economistas, que esperam que, com isso, famílias e empresários voltem a consumir e investir.
A melhora na demanda por commodities e o aumento da safra agrícola —principais produtos da pauta de exportações brasileira— também explicam o otimismo.
A visão positiva para 2017 contrasta com o ano de 2016, marcado pelo aprofundamento da recessão, com aumento do desemprego e piora da atividade econômica sobretudo nos setores de comércio e serviços, que levaram mais tempo para sentir os efeitos da crise.
Fatores políticos, como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e as investigações de negócios e políticos na Operação Lava Jato, pioraram esse cenário, afetando a confiança na economia e freando investimentos e consumo.
Entenda o que é o PIB
O PIB, Produto Interno Bruto, é um dos principais indicadores de uma economia. Ele revela o valor adicionado à economia em um determinado período.
O PIB pode ser calculado pela ótica da oferta e pela ótica da demanda. Os métodos devem apresentar o mesmo resultado.
Desde o último trimestre de 2014, o IBGE passou a aplicar diretrizes da ONU que alteraram parcialmente os cálculos para o PIB. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento, prospecção e avaliação de recursos minerais (mesmo que não sejam encontradas, por exemplo, jazidas de minério ou petróleo) e aquisição de softwares passaram a ser contabilizados no PIB.
Antes, eram encarados como despesas intermediárias e descontadas do cálculo. Pela nova metodologia, os gastos governamentais com a compra de equipamentos militares também passam a ser considerados como investimento, por exemplo.
Folha de SP





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