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EUA elegem Trump

13 de dez. de 2022
3 min de leitura

Quando, em junho do ano passado, o empresário e ex-apresentador de TV Donald Trump, 70, desceu a escada rolante da Trump Tower (seu QG em Nova York) para anunciar que estava entrando na corrida à Casa Branca, poucos o levaram a sério.

Na madrugada desta quarta (9), ele se tornou o 45º presidente dos Estados Unidos, após derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e derrubar a maioria das pesquisas que, até a linha de chegada, o pintavam como uma zebra.

Trump derrotou praticamente todo o establishment americano, a começar por caciques do seu próprio partido. Prevaleceu sobre uma rara união entre empresários, artistas e intelectuais renomados, além de grandes veículos de mídia, que deram apoio à democrata Hillary Clinton.

O empresário será o primeiro presidente dos EUA sem uma carreira política e o mais velho já eleito.

A confirmação da vitória veio com as projeções de vitória do republicano nos Estados da Pensilvânia e de Wisconsin, por volta das 5h30 (horário de Brasília). Às 6h45, Trump tinha 288 votos no Colégio Eleitoral, segundo projeção da CNN, contra 215 de Hillary. A votação nos EUA é indireta.

Antes mesmo de anunciado o resultado final, frente ao bom desempenho do republicano, o nervosismo ganhou força nos mercados mundiais.

Na Ásia, as Bolsas tiveram perdas agravadas com o avanço de Trump. Às 6h45 (horário de Brasília), Tóquio tinha queda de 5,36% e Hong Kong, de 2,16%.

O México, tradicional parceiro americano, também foi castigado. O peso (moeda local) caia 10,2%, um tipo de queda que não era visto desde a crise global de 2008. O temor é que a chegada de Trump ao poder dê fim ao acordo de livre-comércio com o país.

AGRESSIVIDADE

O desfecho das eleições premia uma das campanhas mais agressivas e não convencionais da história, e a ambição de um empresário que nasceu em berço de ouro, multiplicou sua fortuna entre vários negócios controversos e venceu na política explorando ao máximo a frustração do público com a política tradicional.

Nem a guerra civil gerada em seu partido, que gerou o movimento "Nunca Trump" deteve o empresário, que derrotou 16 pré-candidatos para se tornar o candidato republicano mais votado na história das prévias da legenda.

Na reta final, sua campanha parecia ter afundado, depois da divulgação de um vídeo de 2005 em que usava linguagem vulgar para se referir às mulheres e sugerir que podia fazer o que quisesse com elas por ser famoso.

O naufrágio de sua candidatura continuou depois que uma dúzia de mulheres o acusaram de assédio sexual, o que o bilionário negou, afirmando que elas eram trapaceiras a serviço de Hillary.

No fim, ainda contou com o impulso inesperado do FBI (polícia federal), que a 11 dias da eleição reabriu a investigação sobre o uso, por Hillary, de um servidor privado de e-mail quando era secretária de Estado (2009-2013).

Às vésperas da eleição o FBI reiterou a decisão anterior, de que não havia motivo para indiciá-la, mas o estrago estava feito.

Trump ganha a Casa Branca mesmo depois de ter insultado imigrantes mexicanos, muçulmanos, mulheres e pessoas com deficiência, num prêmio a sua retórica contra o politicamente correto e uma vitória contra uma rival que ele demonizou por meses.

Passada a disputa, a grande questão é como o vencedor será capaz de unir um país rachado entre eleitorados que, em grande medida, foram movidos pelo ódio ao candidato rival.

A vitória de Trump também não deverá ser facilmente absorvida pelas lideranças internacionais, já que o republicano disparou contra muçulmanos, mexicanos, chineses, japoneses e coreanos, entre outros, gerando incertezas sobre suas posições e propostas.

Folha de SP

 
 
 

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