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Médico e advogado de Sorocaba são detidos por suspeita de fraudes na Previdência

13 de dez. de 2022
2 min de leitura

Um médico e um advogado de Sorocaba foram detidos em suas residências no início da manhã de ontem pela Polícia Federal, como parte da Operação Hipócritas, que fez apreensões em outras 19 cidades paulistas. Ambos foram levados independentemente de suas vontades (condução coercitiva) para prestar depoimentos na Procuradoria da República, em Campinas, com a perspectiva de serem liberados na sequência. Essa operação conjunta entre o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal quer desvendar um suposto esquema criminoso que prejudicaria na Justiça as vítimas de acidentes de trabalho. Uma terceira pessoa de Sorocaba que deveria ser conduzida coercitivamente não foi encontrada porque estaria viajando. Somente em Sorocaba, além dos três mandados de condução coercitiva a polícia cumpriu outros três mandados de buscas e apreensões de itens como computadores e documentos, segundo informações do delegado da Polícia Federal em Sorocaba, Fernando Bonhsak. A Polícia Federal não divulgou nomes, endereços ou quaisquer outros detalhes da ação. A hipótese é que em muitos casos o perito judicial, mesmo reconhecendo a incapacidade do trabalhador, atestava no laudo sua plena capacidade laborativa, livrando a empresa do pagamento de indenizações ou qualquer responsabilidade. De acordo com o MPF, o esquema de corrupção de médicos peritos judiciais, em arranjo com assistentes técnicos e advogados, funciona, pelo menos, desde 2010 e foi detectado tanto em processos que tramitam nas varas do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, sediado em Campinas, como no da 2ª Região, localizado em São Paulo. A denúncia partiu do Sindicato dos Metalúrgicos e 40 pessoas são investigadas. Se condenadas, as penas máximas para os crimes podem ultrapassar 30 anos. Corrupção e suborno As outras 19 cidades onde houve diligências ontem foram Americana, Guarulhos, São Paulo, Campinas, Indaiatuba, Jaguariúna, Barueri, Piracicaba, São Bernardo do Campo, Jundiaí, Sumaré, Limeira, Casa Branca, Valinhos, Paulínia, São Roque, Bragança Paulista, Itu e São Caetano do Sul. A investigação apura a prática de vários crimes, dentre eles corrupção passiva e ativa, falsa perícia mediante suborno e corrupção de perito judicial. Em razão da quebra do sigilo telemático, foram identificadas várias contas de e-mail nas quais foi possível constatar o prévio acerto das conclusões dos laudos periciais e o pagamento de propinas. O nome da operação decorre da alusão ao juramento de Hipócrates, pai da medicina, nascido na Grécia antiga, 450 a.C., geralmente proferido pelos graduados em medicina no dia da formatura, quando assumem solenemente exercer a medicina honestamente e não causar mal a outro. Segundo a Justiça Federal, fez-se alusão, ainda, à hipocrisia dos investigados que, através de mensagens, reclamavam da prática sistemática de corrupção em nível nacional.

Fonte: Cruzeiro do Sul

 
 
 

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