Juro do cheque especial sobe para 308% ao ano em abril, novo recorde


Os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cheque especial atingiram em abril o patamar de 308% ao ano – o maior desde o início da série histórica, em julho de 1994, ou seja, em quase 22 anos. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Banco Central.

Em relação a março, quando estavam em 300,8% ao ano, os juros cobrados do cheque especial tiveram aumento de 7,9 pontos percentuais. Nos últimos 12 meses até abril, a alta foi de 82,8 pontos percentuais - estavam em 225,9% ao ano em abril de 2015.

Junto com o cartão de crédito rotativo, os juros do cheque especial estão entre os mais altos do mercado. Esses empréstimos, alertam os especialistas, só devem ser utilizados em momentos de emergência e por um prazo curto. A inadimplência do cheque especial somou 14,4% em abril.

Cartão de crédito Se a taxa de juros é alta para o cheque especial, ela pode ser considerada proibitiva para o cartão de crédito rotativo.

Segundo o Banco Central, os juros médios cobrados pelos bancos nestas operações – a modalidade mais cara do mercado – ficaram em 448,6% ao ano em abril.

Em relação a março, quando os juros dessa modalidade somaram 449,4% ao ano, houve uma pequena queda de 0,8 ponto percentual. Mas, nos últimos doze meses, o aumento foi de 101,2 pontos percentuais.

A recomendação de economistas é que os clientes bancários paguem toda a sua fatura do cartão no vencimento, não deixando saldo devedor. A inadimplência destas operações, segundo o BC, somou 36,4% em abril - uma das mais altas das modalidades de crédito.

Taxas de juros no Brasil Reportagem publicada pelo jornal norte-americano “The New York Times”, no fim de 2014, informou que os juros praticados em algumas linhas de crédito no Brasil “fariam um agiota americano sentir vergonha”, citando os cartões de crédito.

Estudo da consultoria Economática, divulgado em março deste ano, informa que a mediana da Rentabilidade sobre o Patrimônio (ROE) de todos os bancos brasileiros de capital aberto no ano de 2015 foi de 10,78%, contra 7,92% dos bancos dos Estados Unidos.

Quando se considera apenas os bancos com ativos acima de US$ 100 bilhões (Itau-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander), a mediana da rentabilidade sobre o patrimônio dos bancos brasileiros foi maior ainda: de 20,06% em 2015.

Fonte: G1

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