• Sindicato dos Bancários

BTG vende Pan Seguros e Pan Corretora


Francesa CNP comprou 51% da operação por R$ 700 milhões; banco tem mais ativos à venda

O BTG Pactual fechou a venda da totalidade da sua participação na Pan Corretora para o grupo francês CNP Assurances. O valor da operação é de R$ 700 milhões, mas está sujeito a ajustes vinculados ao desempenho nas companhias até a data de conclusão da operação.

O banco, fundado por André Esteves, detém 51% da Pan Seguros, um dos ativos que foram colocados à venda pela instituição, no ano passado, depois da prisão de Esteves, no fim de novembro do ano passado, e que desde dezembro cumpre prisão domiciliar.

Banco já se desfez de quase R$ 20 bi em ativos

Por trás do interesse da CNP na Pan Seguros está o relacionamento da francesa com a Caixa Econômica Federal. O banco estatal é sócio minoritário do BTG na Pan Seguros e da CNP na Caixa Seguros.

Segundo informou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, no início do ano, a Pan Seguros foi avaliada em R$ 1,5 bilhão pela companhia francesa, de acordo com fontes. O banco estava em negociações exclusivas com a CNP Assurances desde janeiro, depois que o grupo francês superou ofertas de seguradoras que incluíam AXA MetLife.

As negociações para a venda de vários ativos do BTG começaram a partir do 25 de novembro, quando o banqueiro foi preso acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobrás.

Além de vender carteiras de empréstimos, uma fatia na maior rede hospitalar do País, Rede D’Or São Luiz para o fundo soberano GIC, de Cingapura, o banco também de desfez de importantes investimentos, como a venda, em fevereiro, do controle de sua subsidiária na suíça, o BSI, para o também banco suíço EFG International. Essa operação foi estimada, à época, entre 1,5 bilhão a 1,6 bilhão de francos suíços, e permitiu que o BTG ainda ficasse com uma fatia de 20% a 30% da combinação entre as duas instituições.

Sem contar a venda do BSI e agora da Pan Seguros e Pan Corretora, o BTG já tinha se defeito de cerca de R$ 14 bilhões em ativos de investimentos proprietários e do portfólio de crédito. Com a detenção de Esteves, o banco mudou de gestão, começou a se desfazer de diversos ativos para fazer caixa e teve de recorrer a um aporte de R$ 6 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), para estancar a crise instalada na instituição. No fim de janeiro, o BTG anunciou a demissão de 305 de um total de 1.653 trabalhadores para se readequar à realidade do mercado. Procurado, o BTG não comenta.

Ativos problemáticos. A instituição ainda tem alguns ativos considerados problemáticos pelo mercado para se desfazer. São os casos da BR Pharma, rede de varejo farmacêutico, que chegou a ser a terceira maior do País e agora sofre um verdadeiro desmanche. O banco já tinha vendido a bandeira Mais Econômica no ano passado para um fundo carioca, antes da prisão de Esteves, e agora poderá vender outras bandeiras separadamente, como a Big Ben. Além da rede de farmácias, está à venda a refinaria Petro África.

Na semana passada, o banco também se desfez, por R$ 1, da rede Leader. A Legion Holdings, empresa que tem entre os sócios o advogado Fábio Carvalho – conhecido pela reestruturação da rede Casa & Vídeo. A cadeia fluminense de varejo popular tem 140 lojas e dívida de R$ 900 milhões. Os antigos sócios da Seller, rede incorporada pela Leader, questionam essa venda.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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