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Bilionário brasileiro doa em vida 60% de sua fortuna para causas sociais


Aos 71 anos, Elie Horn, dono da Cyrela, a maior construtora e incorporadora do país, decidiu doar 60% do seu patrimônio pessoal, estimado em US$ 1 bilhão (R$ 3,9 bilhões), para causas sociais.

É o primeiro brasileiro a aderir ao The Giving Pledge (Chamada à Doação, em tradução livre), programa criado em 2010 por Bill Gates e Warren Buffett.

Os americanos, que lideram o ranking mundial da filantropia, incentivam bilionários a destinar pelo menos metade de suas fortunas para investimentos sociais ao longo da vida.

"Queria doar 100%", disse Horn, ao participar no 4º Fórum Brasileiro de Filantropos & Investidores Sociais, realizado em novembro pelo Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social).

Ele contou publicamente detalhes sobre o compromisso de doação firmado no fim do ano passado.

"No começo, minha mulher não gostou muito, brigou um pouco, mas depois aceitou", disse ele, fazendo gargalhar a plateia que lotou o evento ao qual aFolha teve acesso com exclusividade.

"Meus filhos também me apoiaram. É uma doação familiar", prosseguiu o empresário, ao ser questionado sobre a repercussão do gesto entre os três herdeiros.

O casal Elie e Susy Horn foi formalmente anunciado como novos membros do The Giving Pledge em junho, ao lado de outros bilionários da Índia e da Turquia.

No site da organização, passaram a figurar entre os 138 membros (indivíduos e casais), nomes como Mark Zuckerberg, Michael Bloomberg, Richard Branson e Ted Turner.

Em sua carta de adesão, Elie diz que se mirou no exemplo do falecido pai, que doou tudo o que tinha.

"Pela presente, eu reconfirmo meu compromisso assumido há quase dez anos de doar até 60% dos meus bens para caridade (em hebraico, para fazer justiça)."

O maior acionista da Cyrela e presidente do conselho de administração do grupo -hoje copresidido por Efraim, 37, e Raphael, 35, seus dois filhos mais velhos- afirma que a doação em vida de mais de R$ 2,3 bilhões fará dele "rico eternamente".

"A moeda do bem é a única conversível neste e no outro mundo", disse Horn, judeu ortodoxo, em discurso fortemente arraigado em sua crença religiosa.

"Deus é o grande ausente no mundo de hoje. Estamos aqui para quê?"

Discreto e avesso a entrevistas, ele resumiu para um público de filantropos brasileiros, que incluía membros da família Setubal (Itaú) e Guilherme Leal (Natura), o que deixou expresso na carta ao The Giving Peldge.

"Como seres humanos, nós não levaremos nada conosco para o outro mundo."

Ele justifica as boas ações como missão na terra. "Fazer o bem é um ótimo investimento. É tão óbvio, não entendo como as pessoas não compreendem."

Nascido na Síria em família judaica, Horn veio para o Brasil aos 10 anos, onde fez trajetória de "self-made man": de vendedor de porta em porta e corretor de imóveis a dono de império imobiliário que faturou R$ 5,68 bilhões no ano passado.

Indagado sobre o destino da fortuna a ser investida em projetos sociais no Brasil, o empresário afirmou à Folha que "a doação tem que ser inteligente".

"Na hora de fazer caridade, precisa dominar os sentimentos e decidir com a cabeça. Não com o coração."

Ao descrever a sua visão da caridade na carta de adesão ao The Giving Pledge, ele destaca "educação em escolas e universidades" como áreas prioritárias.

"É uma coisa totalmente separada das ações do instituto, que é financiado com 1% do lucro líquido da empresa", explica Aron Zylberman, diretor executivo do Instituto Cyrela, braço social do grupo.

O executivo confirma o foco do investimento social como pessoa física do fundador do império imobiliário. "Será em educação formal e em educação religiosa."

À Folha, Horn contou que nos últimos meses participou de sete eventos de arrecadação de recursos para fins beneficentes.

Virou militante de um movimento para incentivar mais doações no Brasil, que ocupa uma modesta 105ª posição no ranking mundial de filantropia, segundo o World Giving Index, levantamento do CAF (Charities Aid Foundation).

"Não temos no Brasil uma cultura de doação enraizada como nos Estados Unidos", explica Paula Fabiani, diretora-presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

Uma das razões é a falta de incentivos fiscais. "Lá, a taxação sobre herança pode chegar a 50%."

A tributação é de 4% no Brasil, 16º país em número de bilionários, de acordo com o World Wealth Report, em 2014.

"Precisamos trabalhar a cultura de doação em escolas e nas empresas, para que se torne um valor da sociedade, o que faria a elite brasileira se engajar de verdade nesse movimento", conclui Paula, lembrando que nesta terça, 1º de dezembro, celebra-se o #diadedoar, campanha global para encorajar doações.

Fonte: Folha de SP

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