Centrais sindicais reagem a ajuste e preveem onda de greves


As centrais sindicais reagiram ao pacote anunciado pelo governo federal nesta segunda-feira (14) e já preveem uma onda de greves no funcionalismo em protesto ao congelamento de reajustes de servidores e à retirada de benefícios.

"O governo está equivocado no foco. O grande problema é a corrupção e desvio de recursos, não o salário que paga imposto e movimenta a economia",diz Antônio Carlos Fernandes Jr., secretário-geral da Pública, central recém-criada com o objetivo de representar exclusivamente os funcionários públicos federais, estaduais e municipais.

"O que vemos é grave. Existe um desmonte da estrutura do Estado, ao não se realizar concurso público e retirar benefícios como o abono de permanência. O governo está empurrando os servidores que continuam trabalhando para casa e essa mão de obra não será reposta", completa.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, avalia como "absurda" a medida de congelar o aumento salarial dos servidores públicos. "O próprio governo fez um acordo de aumento escalado, que previa reajuste de 5,5% em janeiro, e agora quer protelar o pagamento para agosto?"

O que deve ocorrer, segundo ele, é uma avalanche de protestos e greves no funcionalismo. "A Força Sindical irá apoiar, de forma democrática, toda manifestação que venha a ocorrer como forma de garantir os direitos dos servidores públicos", diz.

Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), criticou o corte orçamentário nos gastos sociais e a elevação de impostos. "Este pacote tem o objetivo claro de manter em ascensão o lucro do capital financeiro. Não é aceitável que a sociedade brasileira seja mais uma vez penalizada para manter a drenagem dos recursos públicos para os 'investidores' externos e que os trabalhadores sejam espoliados por taxas de juros de até 370% ao ano."

A central está convocando seus sindicatos filiados, sobretudo os que representam servidores públicos federais, "a resistir e combater estas medidas".

PROTESTO

Em manifestação na avenida Paulista nesta terça-feira (15), dirigentes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) se posicionaram contra o novo pacote fiscal do governo e afirmaram que o trabalhador é quem está pagando pela crise, mas rechaçaram as propostas de impeachment de Dilma.

O presidente da central sindical, Vagner Freitas, defendeu que as medidas propostas nesta segunda-feira, de corte de R$ 26 bilhões e aumento da arrecadação de R$ 40,2 bilhões, vão contra os interesses dos trabalhadores e que faltou diálogo do governo com a sociedade.

"O pacote é lamentável, recessivo, e imputa a culpa da crise aos trabalhadores. É exatamente o contrário do que a CUT tem apresentado [como proposta]", disse.

Segundo Douglas Izzo, presidente da CUT-SP, o ajuste fiscal e o projeto que amplia a terceirização ameaçam as conquistas sociais.

"Não dá para os trabalhadores pagarem pela crise. E, com o ajuste que foi apresentado e mudanças nos direitos dos trabalhadores, é isso que está sendo apontado." Ele acrescentou que, se depender da CUT, o pacote não passa no Congresso.

Para Freitas, o governo precisa adotar medidas de retomada do crescimento, que aumentem a geração de emprego e renda.

"Esse pacote dialoga com a política de Levy, que é de corte e não de investimento. Os servidores públicos federais teriam, a partir de janeiro, o resultado do processo de negociação, que foi adiado. A CUT vê com maus olhos o pacote e entende que ele irá enfatizar a crise", disse.

Freitas afirmou que vai procurar a presidente ainda hoje, solicitando uma audiência, e reclamou de "falta de diálogo".

"Acima de tudo mais uma vez o que nos espanta é a falta de diálogo com a sociedade. Tem um fórum criado pelo governo para discutir as questões de Previdência, salário e direitos. O fórum quadripartido, entre trabalhadores, empregadores, governo e Parlamento, vai ser instaurado em alguns dias. E, antes de instaurar o fórum, o governo governa por pacote, sem dialogar com os trabalhadores."

Fonte: Folha de SP

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