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JORNADA 6x1 – INCERTEZAS E DÚVIDAS

Julio Cesar Machado - Pres. do Sindicato dos Bancários de Sorocaba





Ainda há trabalhadores defendendo um modelo que prejudica a qualidade de vida. Em um cenário global marcado pelo avanço da tecnologia e da inteligência artificial, países desenvolvidos discutem redução de jornada e bem-estar. No Brasil, porém, ainda prevalece a lógica de que o trabalhador deve suportar qualquer condição.


A expansão do chamado “empreendedorismo” e da terceirização tem, em muitos casos, resultado em precarização, com redução de direitos e renda. Isso gera distorções, como críticas à CLT e a trabalhadores com direitos garantidos, além de discursos que ignoram a dificuldade real de sobreviver com baixos salários.


A jornada 6x1 vai na contramão da qualidade de vida. Modelos como o 5x2 — e propostas mais recentes, como 4x3 — buscam equilibrar trabalho e vida pessoal, reduzir o adoecimento mental, melhorar a mobilidade urbana e ampliar a geração de empregos.


Na categoria bancária, que já possui uma das convenções coletivas mais estruturadas, é contraditório defender retrocessos. A redução da jornada é uma pauta que visa saúde, produtividade e dignidade.


O debate precisa considerar o interesse coletivo. A manutenção de jornadas exaustivas beneficia poucos e impacta diretamente a maioria da população trabalhadora.


Mais do que uma escolha individual, trata-se de um modelo de sociedade e de distribuição de oportunidades.

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