• juliana9986

Alimentos continuam a pressionar e inflação sobe 0,24% em agosto

Arroz já subiu quase 20% no ano, e a alta do feijão passa de 30% em algumas regiões



Os preços da gasolina e dos alimentos voltaram a pressionar o IPCA, índice oficial de inflação no país, que fechou agosto em 0,24%, contra 0,36% no mês anterior. Foi o maior índice para o mês desde 2016, informou nesta quarta (9) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Apesar da desaceleração em relação ao mês anterior, o instituto ressalta que o cenário é mais prejudicial às famílias de baixa renda, que sentem mais as despesas com comida em seu orçamento. O grupo Alimentação e bebidas registrou inflação de 0,78% no mês.

A pressão sobre o bolso dos brasileiros com menor rendimento é reforçada pelo resultado do INPC, índice que mede a inflação desse grupo e subiu 0,45% no mês, a maior alta desde 2012. Neste indicador, o preço dos alimentos subiu 0,80%.

A maior influência no resultado do IPCA foi a gasolina, produto com maior peso na composição do índice, que subiu 3,22% em agosto, refletindo reajustes promovidos pela Petrobras durante o mês. Assim, o grupo Transportes teve alta de 0,82%. Mas as maiores altas foram verificadas em preços dos alimentos. O tomate subiu 12,98%, o óleo de soja 9,48% e o leite longa vida, 4,84%, por exemplo. Na média, os alimentos para consumo no domicílio tiveram alta de 1,15% em agosto. Produtos básicos na mesa do brasileiro, como arroz e feijão, contiuaram em ritmo de alta. Para o instituto, esse cenário eleva a percepção de inflação por parte do consumidor. “O arroz (3,08% em agosto) acumula alta de 19,25% no ano e o feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%. O feijão preto, muito consumido no Rio de Janeiro, acumula alta de 28,92% no ano e o feijão carioca, de 12,12%”, destacou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov. Kislanov diz que o mercado está pressionado pela maior demanda, pela questão cambial, que pressiona custos e leva os produtores a preferirem exportar do que vender no mercado interno, e deve ter algum efeito do relaxamento do isolamento. Ele cita como exemplos arroz, carne e óleo de soja. Os dois últimos são influenciados pela alta demanda chinesa. "De maneira geral, há esse efeito cambial que estimula as exportações", afirmou. As carnes subiram 3,33%, após alta de 3,68% em julho. A alta no preço dos alimentos preocupa o governo, que começou a analisar a redução das alíquotas de importação para enfrentar o problema. O presidente Jair Bolsonaro vem apelando a empresários da cadeia alimentícia para conter as altas, mas diz que "ninguém vai tabelar nada". Na semana passada , o presidente pediu "patriotismo" dos donos de supermercados no país. " Estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro", disse o presidente. A declaração foi dada depois que associações do setor de supermercados divulgaram cartas públicas chamando a atenção para a alta de preço de itens da cesta básica, que chega a superar 20% no acumulado de 12 meses em produtos como leite, arroz, feijão e óleo de soja. No ano, segundo o IBGE, o preço dos Alimentos e bebidas acumula alta de 4,91%. Em 12 meses, a alta é de 8,83% — já passa de 10% em Salvador, Belém, Goiânia, Curitiba e Campo Grande. A elevação no preço da cesta básica ocorre em um momento de alto desemprego e perda na renda do trabalhador. No segundo trimestre, a taxa de desemprego atingiu 13,3%, a maior para o período, ainda sem refletir todos os efeitos da pandemia no mercado de trabalho. A expectativa do mercado é que a taxa suba à medida em que o fim do isolamento leve mais gente às ruas em busca de trabalho — o indicador só considera como desempregados aqueles que procuraram emprego na semana da entrevista. A avaliação é reforçada pelo fato de que, após o início da pandemia, o número de pessoas fora da força de trabalho superou o contingente que está trabalhando pela primeira vez na história da pesquisa do IBGE em seu formato atual. O impacto de gasolina e alimentação no IPCA foi suavizado pela queda no custo da educação (-3,47%), com descontos nos cursos regulares (-0,21%). Sem isso, a inflação teria sido de 0,48%, disse ele. Trata-se de um impacto pontual, já que a coleta desse item não é feita todos os meses. O IBGE vem detectando pressão também sobre os preços dos materiais de construção, como o tijolo (9,32%) e o cimento (5,42%), que já haviam subido em julho (4,13% e 4,04%, respectivamente). Com demanda aquecida e apoio do auxílio emergencial, o comércio desses produtos já recuperou o nível pré-crise. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 2,44%, ainda abaixo do piso da meta estipulada pelo Banco Central. No ano, a inflação oficial acumulada é de 0,70%.


Folha de SP


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