A dura vida dos PCDs no Itaú


Ao contrário do que é dito nas palestras promovidas pelo banco sobre inclusão de pessoas com deficiência, este bancários não são valorizados pelo Itaú e a rotina nos locais de trabalho é repleta de dificuldades

O Itaú tem promovido palestras sobre a inclusão de pessoas com deficiência e as dificuldades enfrentadas por elas no mundo do trabalho, como parte da sua campanha anual de valorização destes profissionais. Porém, a realidade destes bancários no próprio Itaú é repleta de dificuldades nos locais de trabalho e quase nenhuma valorização profissional.

“A realidade é que nem mesmo a cota legal de pessoas com deficiência é respeitada. Inclusive, para contemplar essa cota, o banco inclui nos números de PCDs bancários lesionados por conta das suas atividades laborais. Além disso, bancários com deficiência dificilmente são promovidos. Praticamente não existe valorização desses profissionais, competentes, que são tratados como meros números pelo banco. O próprio layout da empresa não promove a integração. Nas áreas de trabalho coletivas, nas quais se economiza espaço e todos supervisionam o trabalho de todos, os corredores são reduzidos por colunas estruturais, inviabilizando a locomoção de cadeirantes e pessoas que utilizam próteses”, denuncia o dirigente sindical e bancário do Itaú Sergio Lopes, o Serginho do CAT.

Além da pouca valorização, outro drama enfrentado por bancários com deficiência no Itaú é a ausência de adaptações de acordo com cada deficiência. “Temos exemplos de pessoas com nanismo que não contam com ergonomia e adaptações adequadas para a sua condição no ambiente de trabalho. Faltam até mesmo vagas para deficientes em quantidade suficiente em algumas concentrações”, relata Serginho.

“Trabalhadores com deficiência visual dependem de terceiros para sua locomoção, uma vez que o banco não instala pisos táteis em todos os locais de trabalho. Em muitas situações o banco opta por desligar o trabalhador com deficiência ao adaptar o local de trabalho para realização da atividade. Adaptações estas que são consideradas de alto custo por um banco que lucra bilhões”, acrescenta o dirigente do Sindicato.

De acordo com Serginho, o banco também tem demitido bancários com deficiências mais severas para contratar trabalhadores com deficiências mais "amenas", que não impactem na dinâmica diária de trabalho. “O sentimento dos trabalhadores é de que não são valorizados. Que estão ali apenas para cumprir uma cota.”

Para o também dirigente do Sindicato e bancário do Itaú Júlio Cesar Santos, falta ao Itaú a promoção de políticas de igualdade de oportunidades, tornando assim seus locais de trabalho adequados para todos os bancários.

“Além de proporcionar dignidade e condições de trabalho adequadas aos trabalhadores, valorizar a diversidade e promover a igualdade de oportunidades é bom para os negócios. Estudo sobre diversidade realizado pela consultoria McKinsey and Co., em 12 países, mostra que as empresas com times de executivos com maior variedade de perfis são mais lucrativas. No caso da diversidade cultural e étnica, empresas com maior diversidade têm 21% mais chances de apresentar resultados acima da média do mercado”, diz Julio.

“O Sindicato cobra que o Itaú saia apenas do discurso e de fato ofereça condições de trabalho adequadas aos seus bancários com deficiência, respeitando e valorizando estes profissionais, que não devem nada a qualquer outro em termos de competência e qualificação. Somos todos iguais nas nossas diferenças”, conclui o dirigente do Sindicato.

SEEB SP

#itaú

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