Novo presidente do BNDES encontrará resistência interna contra enxugamento e discurso de caixa-preta


Gustavo Montezano assumirá o cargo em meio a mobilização interna contra o processo de enxugamento do banco

O novo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano, assumirá o cargo em meio a um momento de mobilização interna contra o processo de enxugamento das funções do banco de fomento. Encontrará também resistências à principal missão dada pelo presidente Jair Bolsonaro, que é “abrir a caixa-preta” de operações feitas em governos petistas.

Após a nomeação, a AFBNDES (Associação dos Funcionários do BNDES) manteve para esta quarta-feira (19) protesto contra a “antipatriótica destruição” do banco, convocado após a inclusão no texto da reforma da Previdência de cláusula que acaba com os repasse de verbas do PIS/Pasep para a instituição. “O ato não tem nenhuma relação com a saída do [Joaquim] Levy. Foi convocado em razão da proposta do relator [da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP)]”, disse o vice-presidente da associação, Arthur Koblitz. A diretoria da associação evitou comentar a indicação de Montezano. Em nota no sábado (15), a entidade afirmava que Levy agiu corretamente ao não apoiar “fantasias e calúnias” de Bolsonaro em relação à chamada caixa-preta do banco.

A nomeação de Montezano foi recebida com surpresa —o nome não constava nas listas de apostas— e reforça a política de enxugamento do banco e foco na atuação em privatizações, estratégia que vem sendo implementada desde a indicação de Maria Silvia Bastos Marques pelo então presidente Michel Temer após o impeachment de Dilma Rousseff. Montezano pegará uma diretoria montada recentemente por Levy, que indicou nomes de sua confiança no final de março e, na semana passada, anunciou a criação de uma nova área de mercado de capitais, para onde levaria o advogado Marcos Barbosa Pinto, citado por Bolsonaro como a gota d’água para a demissão. Em março, Levy levou para o BNDES Roberto Marucco, que deixou a Avon, e Denise Pavarina, ex-diretora do Bradesco, para os lugares de Ricardo Ramos e Cláudia Prates, únicos funcionários de carreira que ainda ocupavam diretorias no banco.

Folha de SP

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