Economistas projetam Selic estável nas próximas reuniões, mas ainda de olho em Previdência


Fraqueza da atividade econômica, no entanto, tem despertado debate sobre possível queda de juros; BC manteve a taxa básicas em 6,5%, pela oitava vez seguida.

A decisão de manter a taxa Selic em 6,5% ao ano, divulgada nesta quarta-feira (20) pelo Banco Central, era amplamente esperada pelo mercado. Economistas ouvidos pelo G1 apontam que as projeções para a taxa básica de juros da economia permanecem em manutenção ou até redução nas próximas reuniões – mas todos esses cenários incluem a aprovação da reforma da Previdência.

De forma geral, o comunicado destaca uma recuperação da economia em um ritmo abaixo do esperado, além do aumento das incertezas sobre uma desaceleração da economia global.

O economista Rodolfo Margato, do banco Santander, diz que "enquanto não existir uma clareza maior sobre o impacto fiscal da reforma da Previdência, ou a respeito de uma ‘desidratação’ no Congresso, não deverá ocorrer uma redução da Selic".

Já Patricia Pereira, especialista da Mongeral Aegon Investimentos, diz que seu cenário ainda é de juros 6,5% no fim deste ano, "mas, se uma Previdência robusta for aprovada e atividade permanecer fraca, o Copom pode ter espaço para reduzir os juros."

Margato também projeta uma manutenção da Selic em 6,5% “até meados de 2020”. “Mesmo reconhecendo uma fraqueza nos indicadores econômicos recentes, sempre salientamos que grandes incertezas permanecem no radar.”

A fraqueza da atividade e os resultados dos indicadores de inflação começam a abrir um debate sobre os rumos da taxa de juros. Em relatório divulgado na segunda-feira, por exemplo, o Bradesco apontou que a "lenta retomada da atividade amplia as chances de corte de juros em algum momento do ano". O banco, no entanto, segue projetando os juros em 6,5% ao fim de 2019.

Riscos

Em relação ao último comunicado, da reunião de fevereiro, os analistas destacaram, sobretudo, a mudança de avaliação do cenário traçado pelo Copom para os riscos envolvendo inflação.

Na reunião desta quarta-feira, o Comitê apontou que o balanço de riscos para a inflação "mostra-se simétrico" para ambas as direções. No encontro de dezembro, a avaliação era de que esse risco era assimétrico.

Hoje, entre os riscos simétricos apontados no comunicado, estão o nível de ociosidade elevado, o que pode levar a uma inflação abaixo do esperado, e uma frustração do avanço de reformas importantes, sobretudo na área fiscal, com o risco de um aumento de aumento de preços diante de uma deterioração dos indicadores fiscais do país.

"Essa mudança (no comunicado) pode ser uma primeira indicação de que pode ter uma queda de juros no futuro", diz Patricia, da Mongeral Aegon Investimentos.

Em nota, a Rosenberg Associados destaca que a mudança para o termo "simetria" até poderia motivar uma leitura de que o BC abriu a porta para um possível corte de juros, mas ressalva que o comunicado deixa claro que "eventuais mudanças da política monetária não seriam para já".

"Com isso, ganha tempo e deixa sua decisão inteiramente conectada à evolução do cenário: em caso de continuidade da decepção com a atividade que levem a revisões nas projeções de inflação, dentro de um arcabouço em que as reformas evoluem favoravelmente e o mundo não nos impõe maiores dificuldades, poderá prover estímulo monetário adicional. Não autoriza a visão de um corte já em maio, mas coloca a reunião de junho sob os holofotes. Ainda assim, as letras miúdas alertam: tudo segue dependente do cenário."

Fonte: G1

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