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Maiores bancos lucram R$ 73 bi em ano marcado por retomada do crédito


O crédito voltou a ser importante motor de crescimento para os grandes bancos brasileiros em 2018. A retomada foi sustentada por empréstimos a pessoas físicas e pequenas empresas, mas tem potencial para avançar neste ano, chegando às grandes companhias —se o ajuste fiscal se materializar.

Com a publicação, nesta quinta-feira (14), do resultado do Banco do Brasil, encerra-se o ciclo de divulgação do balanço anual das principais instituições financeiras de capital aberto, clube que inclui Itaú, Bradesco e Santander.

Juntos, os quatro bancos registraram lucro líquido consolidado de R$ 73 bilhões --bem acima dos R$ 65 bilhões de 2017 —e distribuíram cerca de R$ 41 bilhões a acionistas.

"O ano que não começou tão animador fechou de forma bastante favorável. Isso se deu em grande parte pela melhora na qualidade do crédito e consequente redução nas provisões que os bancos fazem pelo risco de calote", diz Andreé Martins, analista da XP.

E, segundo ele, as três grandes instituições que divulgam suas projeções para 2019 —apenas o Santander não o faz— sinalizaram apetite maior para tomar risco.

O Itaú, dono da maior carteira entre os bancos privados, prevê um crescimento de 8% a 11% em suas operações de crédito no Brasil. A visão é bem mais otimista do que o avanço de 4,2% em 2018.

A expansão deste ano deve continuar centrada nos segmentos de pessoa física e pequenas empresas, que, juntos, subiram 11,3% no ano passado. Um impulso extra poderia vir da recuperação do crédito por tomadores mais robustos.

Candido Bracher, presidente do Itaú, disse, ao informar o resultado do banco, que a reforma da Previdência será crucial. Isso porque, segundo ele, grandes empresas aguardam a aprovação das regras para retomar investimentos.

Até lá, a demanda no segmento fica na retranca. O empréstimo para grandes empresas caiu 4,7% em 2018 no Itaú.

No Bradesco, o crescimento do crédito para empresas maiores até chegou, com um avanço de 4,5% em 2018. Mas a alta projetada de 9% a 13% na carteira geral deste ano ainda deve ser puxada pelo tomador menor, observou Octavio de Lazari, presidente do banco, ao divulgar o balanço.

Ele disse a jornalistas, contudo, que agora os projetos já saíram da gaveta e foram para cima da mesa, indicando que a recuperação pode começar.

O crescimento das carteiras dos bancos pode trazer a reboque um aumento nas provisões para cobrir calotes.

No Santander, no qual o crédito disparou 11,2% no ano passado, o movimento aconteceu. A PDD (provisão de devedores duvidosos) subiu 7,6% em 2018. Segundo o banco, a inadimplência acima de 90 dias, porém, está controlada.

"Por mais que a tendência da inadimplência seja de se estabilizar ou até subir um pouco, não deve convergir para níveis extremamente perigosos como vimos durante a crise. Mas, se o banco empresta mais, precisa provisionar", explica Martins, da XP.

O crescimento do crédito deve ajudar ainda a compensar a redução de spreads (a diferença entre o custo de captação e a taxa de juro cobrada do cliente) ao longo de 2019, auxiliando na sustentação das margens financeiras.

"Não tem mais como manter o spread como a gente praticava. E, com os spreads comprimidos, a única solução é crescer volume", afirmou Lazari.

Folha de SP

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