Gastos fantasmas provocam buracos bem reais no orçamento doméstico


Cuidado com os gastos fantasmas, que podem destroçar seu orçamento. É normal ficarmos atentos às grandes despesas, que consomem a maior parte de nossa renda (aluguel ou prestação do imóvel, condomínio, parcelas do carro zero, mensalidade escolar, impostos). Mas é nos detalhes, às vezes em gastos individualmente irrisórios, que está nossa oportunidade de economizar e fechar o mês sem dívidas.

Por exemplo, nos últimos anos a rubrica telecomunicações se tornou um dos compromissos mais pesados do mês. Contas de telefone celular, acesso à banda larga, TV por assinatura e aparelho fixo podem consumir mais de mil reais mensais em uma família de classe média.

O que fazer? Primeiramente, avalie se seu plano de telefonia móvel está de acordo com suas necessidades. Às vezes, você paga por serviços que não precisa. Além de tentar manter a conta dentro dos limites do contrato – ou seja, sem extras –, em alguns casos há a possibilidade de usar os pontos acumulados em programas de fidelização para abater parte do valor dos boletos.

A TV paga é outra questão a ser pensada. A primeira pergunta é: você costuma assistir os canais do seu pacote? Antes, muitos assinantes eram obrigados a manter este contrato para ver filmes ou acompanhar partidas do seu time de futebol. Hoje, há serviços streaming de filmes, seriados e de esportes. Faça as contas. Talvez valham mais a pena para sua família.

O lazer, a propósito, costuma nos pregar peças. Cada saída para almoçar fora, jantar ou beber em um bar custa caro. Não significa que devamos abrir mão disso, mas temos de comparar preços e definir limites para estas despesas.

Viajar é um capítulo à parte. Se for possível programar, a economia com passagens aéreas e hospedagem será muito expressiva. Especialmente em roteiros internacionais. Para sair do Brasil, também é muito importante planejar a compra da moeda estrangeira. Oscilação cambial – para mais ou para menos – é uma das características da economia brasileira.

Até para renovar o guarda-roupa é vantajoso pensar em opções. Se o objetivo for uma festa de casamento ou formatura, é provável que alugar seja melhor do que comprar um vestido, terno ou smoking que só será usado novamente daqui a alguns anos.

O transporte diário também merece algumas reflexões. O preço do automóvel já é bem elevado, mas está longe de ser o único gasto relevante para ter um veículo na garagem. Há que considerar impostos, combustível, eventuais reparos, seguro e estacionamento. Uma conta bem feita pode demonstrar as vantagens de usar táxi ou solicitar carro por aplicativo. Ou, ainda, de alugar automóvel em situações especiais.

Não há muito que fazer para reduzir os dispêndios com condomínio, mas participar das assembleias ajuda, pois você poderá opinar sobre os gastos do prédio. Em relação a impostos, só há um jeito: prestar muita atenção à escolha dos candidatos nas eleições. Quem promete muito e é favorável a um estado mais pesado, gastador, certamente também será partidário de aumento e criação de impostos, taxas e contribuições.

Folha de SP

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