Veja categorias que tiveram aumento salarial acima da inflação em 2018


Quem trabalhou em feiras e eventos teve maior percentual de aumento real no salário, segundo Salariômetro da Fipe — Foto: Divulgação

Quem trabalhou com feiras, eventos e divulgações, na indústria de joalheria e em bancos e serviços financeiros teve o maior ganho real nos salários em 2018.

Pesquisa “Salariômetro”, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que 80,1% dos reajustes salariais realizados em 2018 foram corrigidos acima da inflação.

De acordo com o levantamento, apenas 8,7% das negociações fechadas no ano passado resultaram num reajuste salarial abaixo do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que é o índice de referência para a correção de salários. Em 11,2% das negociações, o reajuste foi igual ao INPC. Somadas estas duas fatias, 19,9% foi a proporção de reajustes sem ganho real.

Negociações salariais em 2018

Distribuição dos reajustes concedidos, em %

Proporção de reajustes abaixo do INPC: 8,7Proporção de reajustes iguais ao INPC: 11,2Proporção de reajustes acima do INPC: 80,1

Fonte: Salariôetro/Fipe

Veja categorias com aumento salarial acima da inflação:

  • Feiras, eventos e divulgações: 2,94%

  • Indústria de joalheria: 1,8%

  • Bancos e serviços financeiros: 1,31%

  • Administração pública: 1,26%

  • Distribuição cinematográfica: 1,14

  • Construção Civil: 1,03%

  • Indústria metalúrgica: 1%

  • Publicidade e propaganda: 1%

  • Condomínios e edifícios: 0,94%

  • Hospitais e serviços de saúde: 0,94%

  • Bares, restaurantes, hotéis e turismo: 0,94%

  • Limpeza urbana, asseio e conservação: 0,94%

  • Radiodifusão e televisão: 0,94%

  • Venda, compra, locação e administração de imóveis: 0,88

  • Energia elétrica / Utilidade pública: 0,87%

  • Organizações não governamentais: 0,83%

  • Vigilância e segurança privada: 0,74%

  • Artefatos de borracha: 0,74%

  • Comércio atacadista e varejista: 0,69%

  • Educação, ensino e formação profissional: 0,69%

  • Agricultura, pecuária, serviços agropecuários e pesca: 0,69%

  • Serviços a terceiros e fornecimento de mão-de-obra: 0,54%

  • Indústria cinematográfica e fotografia: 0,52%

  • Assessoria, consultoria e contabilidade: 0,51%

  • Transporte, armazenagem e comunicação: 0,51%

  • Refeições coletivas: 0,51%

  • Seguros privados: 0,48%

  • Indústria do vidro: 0,44%

  • Gráficas e editoras: 0,44%

  • Indústrias de alimentos: 0,44%

  • Indústria química, farmacêutica e de plásticos: 0,31%

  • Comércio de derivados de petróleo: 0,31%

  • Indústrias extrativas: 0,29%

  • Estacionamentos / Garagens: 0,26%

  • Cemitérios e agências funerárias: 0,26%

  • Empresas jornalísticas: 0,25%

  • Telecomunicações e tecnologia da informação: 0,23%

  • Papel, papelão, celulose e embalagens: 0,23%

  • Fiação e tecelagem: 0,19%

  • Confecções / Vestuário: 0,14%

  • Reparação de eletroeletrônicos: 0,01%

  • Outras indústrias: 0,01%

  • Despachantes e Autoescolas: 0%

  • Agronegócio da cana: 0%

  • Artefatos para pesca e esporte: 0%

  • Extração e refino de petróleo: 0%

  • Lavanderias e tinturarias: -0,19%

No acumulado do ano, o INPC teve alta de 3,43%. A inflação oficial do país fechou em 3,75%.

O reajuste mediano nominal foi de 3% em 2018, com piso salarial médio de R$ 1.241. Em 2017, havia sido de 4,7% (R$ 1.225).

Segundo a Fipe, os semestres foram distintos em 2018 - no 1º, a inflação foi baixa com ganhos reais altos nos salários, e no 2º a inflação subiu e os ganhos reais “minguaram”.

Por estados

Ceará e Roraima foram os estados com maior percentual de reajuste acima da inflação em 2018. Pernambuco ficou na lanterna.

Reajustes acima da inflação por Unidades da Federação:

  • Ceará: 0,94%

  • Roraima: 0,94%

  • Alagoas: 0,89%

  • Amapá: 0,89%

  • Maranhão: 0,89%

  • Mato Grosso do Sul: 0,81%

  • Mato Grosso: 0,81%

  • Paraná: 0,81%

  • Rio de Janeiro: 0,81%

  • Rio Grande do Norte: 0,81%

  • Rondônia: 0,81%

  • Rio Grande do Sul: 0,81%

  • Sergipe: 0,81%

  • São Paulo: 0,81%

  • Tocantins: 0,57%

  • Pará: 0,54%

  • Minas Gerais: 0,49%

  • Santa Catarina: 0,48%

  • Distrito Federal: 0,45%

  • Amazonas: 0,44%

  • Acre: 0,41%

  • Espírito Santo: 0,39%

  • Piauí: 0,35%

  • Bahia: 0,31%

  • Goiás: 0,31%

  • Paraíba: 0,31%

  • Pernambuco: 0,25%

Acordos e convenções coletivas

Em 2018, o fechamento de negociações caiu 21,9% em relação a 2017 - o número de acordos e convenções concluídas e protocoladas no então Ministério do Trabalho chegou a 29.346 ante 37.565 em 2017.

O impasse foi mais frequente nas convenções, no início do ano, mas a proporção acabou se igualando à dos acordos no final.

As convenções precisam ser aprovadas pelos sindicatos dos trabalhadores e patronais da categoria para ter validade e, por isso, são mais difíceis de serem concluídas. Os acordos envolvem apenas o sindicato e a empresa.

O 2º semestre é marcado pelas negociações de categorias importantes - como bancários, metalúrgicos e químicos -, e impactam milhares de trabalhadores. Os resultados dos pleitos costumam servir de referência para outros sindicatos.

A reforma trabalhista, que entrou em vigor em novembro de 2017, obrigou sindicatos patronais e de trabalhadores a reverem ponto a ponto as convenções coletivas, já que deixou de garantir os benefícios adquiridos.

A mudança na legislação trabalhista também determinou que as convenções e acordos prevalecem sobre a legislação em pontos como jornada de trabalho, intervalo, banco de horas, plano de carreira, home office, trabalho intermitente e remuneração por produtividade.

O levantamento da Fipe identificou também 55 acordos no ano com redução de jornada e salário.

A contribuição para sindicatos de trabalhadores foi o terceiro item mais frequente nas negociações. Perdeu (por pouco) apenas para reajuste e piso.

Um dos principais entraves para a concretização das negociações tem sido a interpretação pelos sindicatos dos trabalhadores com relação à possibilidade de cobrança da contribuição sindical. A dúvida é se ela pode valer para todos se aprovada em assembleia.

Antes da reforma, a contribuição sindical era um desconto obrigatório que equivalia a um dia de trabalho. Agora a autorização para o desconto da contribuição sindical tem de ser expressa e individual pelo trabalhador.

Assuntos mais negociados em 2018:

  • Reajuste: 56,3%

  • Piso: 52,3%

  • Contribuição para sindicatos de trabalhadores: 49,8%

  • Alimentação: 38,5%

  • Adicional de hora extra: 38,3%

  • Adicional noturno: 31,6%

  • Auxílio Funeral/Morte: 29,7%

  • Auxílio Transporte: 25,6%

  • Banco de horas: 24,1%

  • PLR: 21,7%

Fonte: G1

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