C6 Bank recebe autorização do Banco Central para operar


O C6 Bank, criado do zero por ex-executivos do BTG, recebeu nesta sexta a licença de operação do Banco Central e pode passar a oferecer serviços. O presidente será Marcelo Kalim, um dos sócios idealizadores do projeto. O banco será no modelo digital, sem agências, e não irá cobrar tarifas de manutenção de conta e nem por serviços básicos, como transferências e saques, que serão através da rede 24 Horas. Fintechs como Nubank e Banco Neon não absorveram o custo imposto pela Tecban (a empresa dona da rede 24 Horas e controlada pelos cinco grandes bancos brasileiros) e cobram tarifa de R$ 6,50 por cada saque realizado. Nos grandes bancos, a tarifa não passa de R$ 2,50.

De forma geral, as novas instituições financeiras não cobram serviços pelo uso básico do banco, e geram receita a partir de operações interbancárias, juros e quando o cliente usa o cartão. O C6 terá um portfólio completo de serviços financeiros, como investimentos em CDBs, crédito pessoal e cartões de crédito e débito, como um grande banco tradicional. A promessa, porém, é de taxas mais baixas de juros, pelo modelo de operação de baixo custo quando comparado às grandes instituições financeiras. Haverá ainda um market place, ou seja, o aplicativo do banco oferecerá serviços financeiros de outras instituições. Inicialmente apenas funcionários do banco e convidados terão acesso aos serviços. Em comunicado, o banco afirma que pretende abrir para novos clientes até o final do primeiro semestre. Atualmente o banco tem 320 funcionários, que já testam o cartão de crédito da instituição. Foram investidos mais de R$ 500 milhões no projeto, e o banco começa com patrimônio de R$ 250 milhões. Com o início das operações do C6, cresce a concorrência das novas instituições financeiras sobre os grandes bancos, que sofrem com o desgaste por cobranças de tarifas e serviços nem sempre considerados eficientes.

Nesse universo de serviços bancários digitais já atuam, além das fintechs Nubank e Neon, os bancos Inter, Original e Agibank. O número ainda é ínfimo perto dos milhões de correntistas que usam serviços nos grandes bancos brasileiros, mas já incomoda. Em entrevista a jornalistas no final de 2018, Octavio de Lazari, presidente do Bradesco, declarou que gostaria de ter os cerca de 5 milhões de clientes do Nubank que usam o cartão de crédito da fintech. Também é uma reação do Bradesco a criação do Next, um banco digital que funciona apartado da instituição-mãe. Lançado há cerca de um ano, ao final de 2018 tinha cerca de 500 mil clientes. Já o Itaú, o maior banco privado do país, descarta sucessivamente o plano de abrir um banco digital independente de sua operação principal. O presidente, Candido Bracher, sempre associou a ideia à um reconhecimento de fracasso do banco em se renovar e fazer a transição para serviços digitais.*

Fonte: Folha

#sindnews

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo