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Presidente do Banco Central recomenda cautela na política monetária


Apesar de cenário um pouco melhor, Ilan Goldfajn, admite riscos de frustração de expectativas e de deterioração do cenário externo para economias emergentes

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, admite que os riscos assimétricos para a condução da política monetária diminuíram, mas como as incertezas no mercado interno e externo persistem, a recomendação de cautela prevalece "tanto para subir quanto para reduzir juros". Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC manteve a taxa básica da economia (Selic) em 6,5% ao ano e o ministro evitou comentar sobre a possibilidade de um redução nos juros básicos.

“Temos que olhar a tendência e não podemos ser levados por cenários voláteis. A cautela prevalece, tanto para subir quanto para reduzir os juros”, disse ele Goldfajn, nesta quinta-feira (20/12), durante a entrevista coletiva sobre o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado hoje. No documento, o BC reduziu de 1,4% para 1,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018 e manteve a de 2019 em 2,4%. A previsão de inflação deste ano passou de 4,4%, em setembro, para 3,7%, em dezembro, abaixo da meta de 4,5% anuais, considerando cenário com Selic e câmbio constantes. Para o ano que vem, quando a meta será de 4,25%, a previsão passou para 4,5% para 4%, na mesma base de comparação. As projeções do custo de vida em 2020 e 2021, passaram, respectivamente, de 4,2% para 4% e de 4,2% para 4,1%.

Assimetria

Apesar de classificar que a política monetária do BC continua “estimulativa” para a economia, com a Selic abaixo da taxa estrutural neutra do mercado, e da retirada dos termos “riscos assimétricos” da última ata do Copom indicando que a assimetria caiu, ele reconheceu que os dois principais fatores de risco continuam. Esses riscos tratam da frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas, principalmente, a da Previdência, e dos ajustes necessários na economia; e das incertezas das economias emergentes no cenário externo mais adverso. “Temos dito que o cenário básico para a inflação permanece com fatores de risco em ambas as direções, mas com maior peso nos dois últimos riscos: a frustração das expectativas e a deterioração dos cenários externos para economias emergentes. Esses dois fatores têm maior peso nos fatores de risco”, explicou.

A cautela recomendada pelo presidente do BC ocorre porque, na avaliação dele, apesar de o resultado das eleições, com a vitória do presidente eleito Jair Bolsonaro, que tem um agenda liberal mais favorável para a realização das reformas, nada ainda ocorreu. “De fato, observamos a direção. O novo governo tem mandado sinais positivos e isso tem nos ajudado a perceber que o risco de frustração tem diminuído, como nós colocamos no comunicado. Houve um arrefecimento desse risco. Mas o Brasil precisa das reformas e a consolidação fiscal precisa não só a da reforma da Previdência, que é a mais importante, mas de outras medidas que podem ajudar a taxa neutra”, explicou ele acrescentando que o risco externo “continua elevado” para os países emergentes, principalmente, em relação ao aumento dos juros dos países desenvolvidos e aos conflitos comerciais, que podem implicar em uma desaceleração do crescimento da China, e, consequentemente, da economia global.

Fonte: Correio Braziliense

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