Para ampliar negócios, país precisa ter mais contato com o exterior


Especialistas defendem que o Brasil reduza o protecionismo, mas com cautela, para evitar perdas às empresas domésticas e aumento do desemprego. Para CNI, a política industrial tem que ser o motor para a produtividade no país

O Brasil precisa reduzir o protecionismo, mas de forma gradual para evitar perdas na economia doméstica, como falência de empresas e aumento do desemprego. Durante o Correio Debate: A importância da indústria para o desenvolvimento do Brasil, foi consenso entre os analistas que o país deve ter maior contato com o exterior, ampliando as negociações internacionais.

Renata Amaral, especialista em comércio exterior da BMJ Associados, disse, em sua apresentação, que o Mercosul é extremamente importante. Para ela, repensar a política industrial é relevante, mas é preciso ter cuidado. “Essa é uma pauta que está sendo analisada pela equipe de transição. Entendo que o Mercosul é extremamente importante, sobretudo para o Brasil. É vital. Talvez repensar o bloco faça sentido, mas não desmontá-lo. O Brasil é o grande ganhador do Mercosul”, disse. Ela ressaltou ainda que não vê possibilidade de o Brasil romper com o bloco econômico, mas de flexibilizar a restrição a negociações comerciais entre países do Mercosul e outras nações. “Hoje é algo muito rígido”, completou. “Há países do bloco interessados em negociar de forma direta, como o Paraguai. Se o governo brasileiro negociar, devemos ter uma remodelação (do bloco)”, avaliou. De acordo com ela, o Brasil é fechado comercialmente e precisa passar por uma abertura econômica e comercial, mas “sem se esquecer” dos grandes custos que as empresas nacionais enfrentam — tornando-as menos competitivas na escala global. O diretor de desenvolvimento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, defendeu que o processo não pode ser feito de forma “inconsequente”. “Não podemos ter decisões precipitadas e erradas. Não se pode ter nem proteção exagerada, nem abertura precipitada e inconsequente. Precisamos caminhar em conjunto, sabendo das dificuldades e dos potenciais para alcançar essa produtividade”, disse. Segundo ele, a política industrial tem que ser o motor para a produtividade do país. O diretor declarou que 62% das empresas do país realizam algum tipo de inovação. O percentual cresce para 92% quando se trata de multinacionais brasileiras. “Há a necessidade de se internacionalizar as empresas. É importante esse contato com o mercado internacional, com seus competidores e com as inovações. Isso traz produtividade, eficiência e menor custo. Temos uma agenda ampla de inserção internacional”, argumentou.

Fonte: Correio Braziliense

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