Governo escala Caixa e BB para emplacar FGTS como garantia de crédito


Sem adesão dos bancos privados, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil tentam impulsionar empréstimos consignados com a garantia do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para atender ao presidente Michel Temer no intuito de mostrar que seu governo está ativo.

A ideia é que esses bancos emprestem cobrando até 3,5% ao mês.

Essa taxa é mais elevada que a praticada nas linhas para trabalhadores do setor privado e público —2,83% e 1,75% ao mês, respectivamente.

Para aderir, os bancos privados representados pela Febraban (entidade do setor) queriam cobrar 6,5%, mas o conselho curador do FGTS forçou a taxa para baixo.

Na semana passada, a Caixa criou um sistema para bloquear os 10% do saldo do FGTS e também para permitir que os bancos tenham acesso à movimentação das contas.

A medida foi uma forma de atrair os bancos, incluindo o BB, que antes não tinham segurança de que os recursos estariam disponíveis nas contas.

Pessoas que acompanharam as conversas afirmam que a medida da Caixa foi uma resposta ao pedido de Temer para turbinar o consignado. O BB deve acompanhar a Caixa para gerar empréstimos.

O governo considera que, com o giro dos bancos públicos, a taxa tende a baixar e os bancos privados podem se interessar pelo negócio.

A medida foi herdada por Temer da ex-presidente Dilma Rousseff, mas nunca emplacou porque os bancos não acham essa operação segura.

O bloqueio ajuda a derrubar a resistência, mas ainda não torna o empréstimo tão rentável quanto os bancos privados desejam.

Nessa modalidade, o público-alvo é de trabalhadores de pequenas e médias empresas do setor privado, segmento de alta rotatividade. Por isso, a maior parte desses trabalhadores tem saldos muito baixos no FGTS --cerca de R$ 1 mil, segundo técnicos do governo.

Assim, o volume reservado para garantia (10%) não passaria de R$ 100, valor insuficiente para impulsionar operações atrativas a bancos privados.

Nos bastidores, até dirigentes de bancos estatais não acreditam na viabilidade da medida defendida por Temer.

A estratégia do presidente de usar bancos estatais para alavancar crédito foi usa por Dilma, que, em 2012, se valeu de BB e Caixa para forçar o mercado a baixar juros.

A política não durou muito tempo e os bancos rapidamente voltaram a praticar taxas mais elevadas.

Assessores de Temer consideram que o aumento de oferta via consignado pode funcionar como mais um reforço na economia que já tem os recursos do fundo PIS/Pasep.

Na semana passada, o governo autorizou os bancos privados a repassarem automaticamente o dinheiro de cotistas aptos. Estima-se que, até o fim deste ano, serão pagos cerca de R$ 28 bilhões.

Fonte: Folha de SP

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