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Falta trabalho para 26,3 milhões de brasileiros, aponta IBGE


Dados do 4º trimestre de 2017 incluem trabalhadores desocupados, mas que poderiam trabalhar, e também aqueles que trabalham menos de 40 horas por semana.

O Brasil encerrou 2017 com 26,3 milhões de trabalhadores subutilizados, grupo que reúne pessoas que poderiam trabalhar, mas estão desocupadas, e aqueles que trabalham menos de 40 horas semanais. É o que revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) trimestral divulgada nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Jorgina Cordeiro Muniz, de 38-anos, trabalha apenas 4 horas por dia, mas gostaria de trabalhar ao menos o dobro para ter renda maior (Foto: Daniel Silveira/G1)

Mãe de quatro filhos, a promotora de vendas Jorgina Cordeiro Muniz, de 38 anos, é um exemplo de trabalhador subutilizado. Após dois anos desempregada, ela conseguiu ser contratada para distribuir jornal de circulação gratuita pelas ruas do Rio. Sua jornada diária de trabalho é de 4 horas por dia – 20 horas semanais -, sempre pelas manhãs.

“Eu não só posso trabalhar mais, como quero trabalhar mais. Preciso muito complementar minha renda”, afirmou.

Sem ocupação após o meio dia, Jorgina busca trabalhos diversos, os chamados bicos, para lhe garantir um complemento de renda. Nesta semana, ela conseguiu uma oportunidade de distribuir nas ruas da cidade panfletos de uma rede de alimentação carioca. Mas, ela confessa que gostaria de ter uma ocupação fixa que lhe rendesse maior renda sem ter de se dividir em mais de uma atividade.

“Pra mim, hoje, é melhor fazer só 4 horas e poder pegar outros serviços. Mas eu estou querendo mesmo é outro trabalho de carteira assinada que me pague melhor”, revelou.

A dona de casa Teresa Kelma Oliveira, de 37 anos, está fora do mercado de trabalho há 3 anos para cuidar da filha e da neta (Foto: Arquivo pessoal)

Já a dona de casa Teresa Kelma Oliveira, de 37 anos, fora do mercado de trabalho há 3 anos, gostaria de trabalhar, mas questões domésticas lhe impedem de procurar uma ocupação. Ela trabalhava como recepcionista e, após ser demitida, precisou se dedicar aos cuidados da filha caçula e da avó.

“Quando eu trabalhava, quem tomava conta da minha filha caçula era o meu filho do meio. No mês seguinte à minha demissão, ele começou a trabalhar e eu fiquei sem ninguém para cuidar dela. Depois, cheguei a procurar emprego, mas sem sucesso, e depois não tentei mais porque eu não poderia aceitar por conta da minha filha”, conta.

Teresa enfatizou que ainda hoje ela não tem condições de assumir um trabalho. “Quando minha mãe estiver em casa, quando ela se aposentar, eu vou me sentir mais segura para voltar ao mercado de trabalho”, disse.

Fonte: G1

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