Empresários, sindicalistas e economistas criticam rombo maior


A possível ampliação do rombo nas contas públicas gerou críticas de empresários, sindicalistas e economistas.

O mercado financeiro já trabalha há meses com a possibilidade de que o rombo das contas públicas seja muito superior aos R$ 139 bilhões da meta oficial. Mas a possível mudança da meta foi muito mal recebida, a começar pelos empresários.

“Nós pagamos 35% do PIB em carga tributária, cinco meses que o trabalhador tem para pagar imposto, ou seja, a gente tem que enfrentar esse desafio de reduzir o tamanho do estado, reduzir os custos para, aí, poder ter espaço para o crescimento econômico”, disse Guilherme Dietze, assessor econômico da Fecomércio.

“A dívida pública vai crescer, os investidores, agentes econômicos - tanto internos como externos - vão ficar com receio de falta de controle das contas públicas. Não há nenhuma razão para não discutirmos e vamos para o Congresso, se tem leis. É o caso da reforma da Previdência, e aprovamos uma reforma que mude essa trajetória”, afirmou Flávio Castelo Branco, gerente de Políticas Econômicas da Confederação Nacional da Indústrica (CNI).

A CUT divulgou nota dizendo que o crescimento econômico depende de investimentos públicos que alavanquem investimentos privados, gerando empregos. Disse ainda que o governo deveria criar mecanismos para a retomada do crescimento e a ampliação da arrecadação entre os setores que menos pagam impostos no Brasil. A UGT também comentou o assunto.

“É muito ruim, muito grave e, na realidade, a nossa compreensão é que é uma falta de gestão porque, se no início do ano já tinha se comprometido com o orçamento, e já tinha-se previsto um valor de déficit, aumentando isso no meio do caminho é inabilidade em gestão”, afirmou Ricardo Patah, presidente nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT).

O líder do DEM na Câmara dos Deputados, que é da base do presidente Michel Temer, defende que o governo seja transparente nas ações.

“Reconhecer que houve frustração de receitas e adaptar o orçamento e a receita do estado às necessidades dos serviços públicos que estão aí. Agora, a solução de aumentar impostos é a pior de todas. Não dá para depositar sobre os ombros do cidadão e do setor produtivo o peso de uma carga tributária que já é alta demais”, disse Efraim Filho (DEM-PB)

Alexandre Schartsman, ex-diretor do Banco Central, diz que o governo subestimou a situação das contas públicas e que o aumento do déficit só torna mais urgente as reformas.

“Isso daí acho que é muito negativo para o país, o mercado não está particularmente preocupado com isso, mas acho que, na primeira balançada que der no mercado internacional, a gente vai sentir aqui dentro. Vamos atrasar o reajuste do funcionalismo. Mas não é isso que vai resolver o problema. O problema tem que ser tratado com reforma da Previdência e, depois, lidar com a rigidez do orçamento brasileiro”, afirmou.

O ex-secretário de Política Econômica Marcos Lisboa defende o mesmo caminho:

“O país tem um problema grave de despesas públicas obrigatórias, fixadas em leis que crescem muito além da receita, que crescem muito além do PIB. A Previdência é o mais severo deles com o rápido envelhecimento da população. Mas há outros. O governo tem sua parte de culpa pelo reajuste concedido aos servidores no ano passado por alguns anos. Ou vamos fazer reformas para reduzir os gastos obrigatórios, para rever diversas despesas, eventualmente rever o reajuste concedido no ano passado, entre outras, ou vamos enfrentar esse problema cada vez mais severo pela frente”, disse Lisboa, que é presidente do Insper.

Fonte: G1

#sindnews

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo