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Por que a corrupção paralisa o Brasil?


Não sai das páginas de jornais nem da internet e é dos temas favoritos das conversas de bar, superando até mesmo o futebol: Brasil, o país da corrupção. Que a corrupção é asquerosa é óbvio. O que é menos óbvio? Entender como, exatamente, a corrupção detona o potencial de crescimento da economia do país. Antes de qualquer coisa, sim, no curto prazo, a Operação Lava Jato paralisa projetos de investimento, principalmente os bem grandes. Mas precisa prosseguir mesmo assim. Não faz sentido parar de investigar por causa disso. Uma vez aberta a Caixa de Pandora, tentar fechar não ajuda em nada —pelo contrário. As investigações estão aí por causa de corrupção das pesadas, galopante, institucionalizada, de estado. A Lava Jato não caiu do céu para afastar investimentos. E, mesmo que prejudique a economia nacional agora, o mais importante é ter um país, talvez, menos corrupto no futuro —em economês, é o tal do "longo prazo" que está em jogo.

Questões éticas deixadas de lado (e não que sejam menos importantes, mas a nossa praia é a economia e sempre faz mais sentido manter os pés nas sandálias apropriadas), qual o maior dano causado na economia pela corrupção? Por exemplo, digamos que exista algum prefeito corrupto —digamos! Na hora em que ele for gastar a grana do Orçamento, falarão mais alto na sua preferência projetos que facilitem o desvio de uma graninha para o próprio bolso. Será que esse tipo de critério prevalece no lugar do critério "o que a sociedade mais precisa"? Pense, por exemplo, nestas duas possibilidades: 1) Gastar vários bilhões com um túnel que passe por baixo de um rio; 2) Gastar alguns milhões com bônus para bons professores do ensino médio. Você, leitor, há de concordar: é bem mais fácil montar um esquema de corrupção convencendo só um dono de empreiteira do que milhares de professores, certo? Como resultado da corrupção, bilhões do nosso dinheirinho, tão em falta hoje em dia, iriam, literalmente, parar debaixo do rio. Mas repare bem: a bufunfa que o prefeito embolsa, no fim das contas, é a parte menos importante nesta história. O que machuca de verdade o desenvolvimento socioeconômico são os critérios de decisão do prefeito corrupto. Se ele pode surrupiar seus eleitores fazendo um túnel que não liga nada a lugar nenhum, por que cogitaria premiar professores e melhorar a qualidade da educação?

BUROCRACIA GERANDO CORRUPÇÃO? Esse é o outro canal que liga a corrupção ao baixo crescimento da economia. E tem, de novo, relação direta com os incentivos que as oportunidades de roubo fácil geram dentro da máquina estatal. Por exemplo, por que facilitar importações? Ora, descomplicar a burocracia pode atrair mais investimentos produtivos. Mas quem diminui a burocracia também prejudica a arrecadação de propinas... A CORRUPÇÃO É COMO SE FOSSE UM IMPOSTO? Em certa medida, sim: impostos altos, tal como a burocracia exagerada, minguam investimentos. Mas, também em certa medida, não: o que muita burocracia gera à beça é corrupção mesmo, pura e simplesmente; e corrupção é muito pior que qualquer imposto, por mais alto que seja. Por quê? Porque impostos são previsíveis. Não podem ser alterados do dia para a noite. Parte deles financia coisas importantes, inclusive, que melhoram a produtividade econômica. E quanto o corrupto vai cobrar de você? Isso é incerto! Varia de caso a caso, envolve barganhas... E você ainda pode ser surpreendido! Depois de já ter dado uma senhora bolada para o fulaninho A, você pode muito bem receber novas encomendas do sicraninho B, do C, do D... E? F? G? Mais algum? Convenhamos, traz muita incerteza quando as coisas são assim. Você, por acaso, toparia investir num lugar que funciona desse jeito?

Fonte: Folha de São Paulo

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