Saque líquido da poupança no 1º tri é o maior em 21 anos


Dívida em atraso, desemprego, inflação alta ou mudança de aplicação financeira. São vários os motivos que levaram a caderneta de poupança a ter, em 2016, o pior começo de ano em 21 anos. De janeiro a março, os brasileiros sacaram - já descontados os depósitos - R$ 24,1 bilhões desse investimento, superando o volume de retiradas de igual trimestre do ano passado, que tinha sido o pior da história (R$ 23,2 bilhões).

Após a debandada recorde de R$ 12,0 bilhões da poupança em janeiro, a quantidade de recursos que os investidores sacaram da caderneta em fevereiro, já descontadas as aplicações, ficou em R$ 6,6 bilhões. Agora em março, o resultado ficou negativo em R$ 5,4 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 6, pelo Banco Central.

As retiradas no início deste ano foram retomadas após uma "pausa" vista em dezembro, quando o investimento costuma ganhar um impulso por causa do pagamento do 13º salário (no último mês de 2015, as aplicações foram maiores do que os saques em R$ 4,790 bilhões). Com exceção desse mês, desde janeiro do ano passado, houve retirada líquida da poupança em todos os meses do ano.

De acordo com o BC, o total de aplicações no mês passado foi de R$ 164,4 bilhões e o de saques, de R$ 169,8 bilhões. O Brasil possui hoje R$ 644,6 bilhões nesse investimento, já considerando os rendimentos de R$ 3,9 bilhões de março. Com os rendimentos inferiores às retiradas, mais uma vez, o patrimônio da caderneta recuou.

A sangria da poupança no mês passado só não foi pior porque nos últimos dias úteis de março ingressaram R$ 5,5 bilhões na caderneta, um valor maior do que o resultado negativo do período. Até o dia 30, a conta estava negativa em R$ 9,608 bilhões. Isso ocorre com o sazonal aumento dos depósitos na caderneta no último dia útil por causa de aplicações automáticas da conta corrente que alguns investidores já deixam programadas para ocorrer.

A contínua e acentuada deterioração da caderneta, apontam especialistas, se dá por conta da recessão econômica, que gera aumento do desemprego e desorganiza as finanças das famílias. Isso acontece ao mesmo tempo que a inflação segue em nível elevado no País, o que corrói o poder de compra da população.

Além disso, a evasão da poupança também é explicada pelo fato de outros tipos de investimento, como papéis do Tesouro Direto, atrelados à variação do dólar e da taxa básica de juros, Selic, proporcionarem um maior rendimento do que a caderneta. A remuneração da poupança é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) - esse cálculo vale para quando a taxa básica de juros (Selic) está acima de 8,5% ao ano. Atualmente está em 14,25% ao ano.

O diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas (Anefac) e da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira, está pessimista sobre a possibilidade da melhora da caderneta ao longo do ano. Para ele, como deve permanecer o quadro de inflação e juros altos e queda de renda e desemprego, além da Selic elevada que reduz a rentabilidade da poupança frente a fundos de investimento, o movimento de redução no volume dos depósitos da poupança deve se acentuar ainda mais. "Esse fator é agravado ainda mais em um ambiente econômico mais recessivo com a elevação nos índices de desemprego e de inadimplência", considerou.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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