Pressão política agrava perdas de fundos de pensão


A nova safra de balanços dos fundos de pensão estatais traz à tona uma carteira contaminada por investimentos feitos em empresas por pressão de governos ou por influência de políticos.

Os prejuízos somados dos três maiores -Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal)- pode chegar a R$ 49,2 bilhões em 2015.

Previ e Funcef já informaram que seus deficit atingiram R$ 16 bilhões e R$ 13,2 bilhões, respectivamente. O balanço da Petros ainda não está fechado, mas, segundo a Folha apurou, deve ficar perto dos R$ 20 bilhões.

A maior parte do prejuízo dos fundos se deve à queda das ações das empresas, principalmente a Vale.

Entretanto, conselheiros que representam os pensionistas estão incomodados também com apostas feitas em projetos centrais para os governos Lula e Dilma -Sete Brasil, Invepar, Belo Monte, Oi-, que provocaram perdas e podem dar mais prejuízo.

Outra fonte de preocupação são investimentos que financiaram empresas que nunca saíram do papel ou que viraram saco sem fundo, que exigem cada vez mais dinheiro para não quebrar.

Os representantes dos pensionistas suspeitam que essas apostas ocorreram para atender interesses políticos. Entre os descobertos até agora, os mais críticos são os fundos FIP Global Equity, FIP Enseada e FIP Multiner.

Previ, Petros e Funcef administram juntos R$ 292,5 bilhões, pertencente a 495 mil participantes. As suspeitas de corrupção estão sendo investigadas no Congresso, que instalou uma CPI sobre os fundos de pensão.

PRESSÃO DO GOVERNO

Para conselheiros eleitos pelos pensionistas, o governo pressionou os fundos de pensão a dividir o risco de projetos de infraestrutura e de apostas em setores estratégicos, mas deixou os participantes com o prejuízo quando as empresas naufragaram.

A visão dos conselheiros escolhidos pelo governo é que esses projetos eram a melhor alternativa de rentabilidade anos atrás, quando os juros dos títulos públicos estavam baixos. O grupo culpa a recessão pelas dificuldades.

As diretorias de Previ, Funcef e Petros negam ingerência política nos investimentos.

O caso mais ruidoso é o da Sete Brasil, empresa de sondas criada para atender a Petrobras. Com a queda do petróleo e a crise na estatal provocada pela Operação Lava Jato, a Sete está desmoronando, levando junto R$ 8,3 bilhões investidos por bancos e fundos de pensão estatais.

Petros, Funcef e Previ, que apostaram no projeto, se sentem abandonados pelo BNDES, que não liberou os financiamentos prometidos.

Os três fundos colocaram mais de R$ 3 bilhões na Sete. Funcef (R$ 1,4 bilhão) e Previ (R$ 180 milhões) já deram seus investimentos como perdidos. A Petros (R$ 1,5 bilhão) não quis explicar se reconheceu o prejuízo ou não.

Os fundos já haviam passado por experiência parecida com a Oi, empresa que, apoiada pelo governo, surgiu para ser a grande operadora nacional de celulares.

Após a reestruturação em 2014, quando a Oi se fundiu com a Portugal Telecom, os fundos colocaram cerca de R$ 600 milhões na companhia. Hoje essa participação perdeu 90% do valor.

PERDA AINDA MAIOR

As perdas dos fundos de pensão podem se a mpliar dependendo do destino da empresa de concessões Invepar e da usina de Belo Monte.

A Invepar tomou empréstimos para tocar concessões como as do aeroporto de Guarulhos (SP), garantindo retornos altos para os leilões do governo. Em Guarulhos, o ágio foi de 373,5%.

Quando o único sócio privado, a OAS, caiu na Lava Jato, a concessionária ficou sem dinheiro para pagar dívidas e investir nas obras.

Os fundos reduziram em 20% o valor de suas fatias na Invepar, estimadas entre R$ 2,5 bilhões e R$ 2,8 bilhões. Mas seguem emprestando dinheiro à concessionária.

Previ, Petros e Funcef devem colocar mais recursos em Belo Monte. Os acionistas, que também incluem a Eletrobras e outros, negociam novo aporte de R$ 1,1 bilhão.

Belo Monte não tem dinheiro para finalizar as obras, porque o BNDES pediu garantias extras para liberar os últimos R$ 2 bilhões de um financiamento de R$ 22,5 bilhões. Os fundos ainda não fizeram provisão de perda, porque confiam no projeto.

Fonte: Folha

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