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Mulheres ainda ganham 74,5% do salário dos homens, aponta IBGE


Mesmo após uma década de redução constante na desigualdade entre os rendimentos femininos e masculinos, as mulheres ainda ganham, em média, salário equivalente a 74,5% do que recebem os homens no Brasil.

É o que mostra a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada nesta sexta-feira (13) pelo IBGE.

Os dados, referentes a 2014, indicam que o rendimento médio do trabalho de uma mulher no país era de R$ 1.480, enquanto o dos homens era de R$ 1.987. Elas, portanto, receberam em média R$ 507 a menos do que eles. Houve melhora dessa relação, de um ponto percentual, entre 2013 e 2014.

Considerado o conceito mais geral de rendimento, que inclui benefícios, aposentadorias e outros ganhos não ligados diretamente ao trabalho, como aposentadorias, benefícios e investimentos, por exemplo, as mulheres ainda ganham 70,7% do que recebem os homens– a distância caiu 0,3 ponto percentual de 2013 para 2014.

A diferença de rendimentos totais entre os sexos está em trajetória de queda há dez anos -em 2004, elas recebiam 62,9% do que eles.

No ritmo atual, ainda serão necessários entre 15 e 20 anos para que as mulheres atinjam remuneração equivalente a dos homens, segundo Rodrigo Viana, diretor-executivo da empresa de recrutamento Talenses.

O fenômeno não é exclusivo do Brasil, diz Viana, mas o país está mais atrasado do que outros, como Estados Unidos e alguns europeus, na redução da desigualdade salarial.

"SEMPRE CORRENDO ATRÁS"

Letícia Molinaro, 37, é exemplo de mulher que hoje ocupa cargo de destaque no mercado.

Contratada há 15 dias para o posto de diretora de recursos humanos de uma empresa norte-americana de saúde que acabou de abrir negócio no Brasil, ela se desdobra entre coordenar a nova equipe, terminar um curso on-line da Universidade Cornell (EUA) e cuidar dos filhos de um e quatro anos.

"Já me peguei em casa ninando meu filho enquanto lia emails no laptop, telefone no ouvido e um copo d'água na outra mão", disse.

Ricardo Borges/Folhapress

Letícia Molinaro é diretora de recursos humanos

Ela conta que, quando ocupou cargo de gerência em uma multinacional de consultoria, tinha colegas homens em postos equivalentes ao seu, com mesmo nível educacional, mas com o dobro de salário.

Letícia, que ocupou cargos de analista, coordenadora, e gerente antes de se tornar diretora, diz ter visto casos em que mulheres perderam chance de promoção "porque estavam no período da vida em que poderiam optar por ter filhos".

"A mulher é mais sensível, tem essa habilidade de fazer diversas coisas ao mesmo tempo e está sempre em busca de aperfeiçoamento profissional. Historicamente, estamos sempre correndo atrás e é por isso que acho que esses movimentos de luta pela afirmação das mulheres são muito importantes", disse.

DIFERENÇA GERACIONAL

Viana lembra que a presença da geração X –nascida entre os anos 1960 e 1980– no mercado de trabalho se caracteriza pela predominância masculina, uma vez que a cultura da mulher como dona de casa predominava à época. Os jovens de então são diretores e gestores das empresas de hoje.

"Temos aí, então, 30 anos de distorção para corrigir, não só no mercado de trabalho formal, mas na sociedade como um todo", disse Viana. "Infelizmente, ainda vigora em empresas mais tradicionais, principalmente em setores industriais, a visão de que mulheres não servem para ocupar posições de peso na administração."

Segundo o analista, em empresas de bens de consumo e tecnologia a discrepância salarial entre os sexos já é bem menor.

Estes segmentos, afirma, já têm trabalhadores da geração Y –nascidos entre os anos 1980 e 2000– em cargos de alta gerência e direção.

Fonte: Folha de SP

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