DIEESE propõe ação conjunta entre trabalhadores e patrões para salvar empregos


O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) promoveu, na manhã desta segunda-feira (09), na sua sede, em São Paulo, um encontro com a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e demais centrais sindicais, buscando organizar um movimento que construa propostas para a retomada do crescimento do Brasil. O objetivo é que, por meio do fortalecimento dos setores de petróleo, gás, construção e naval se consiga tirar o País da recessão.

O encontro visou a mobilização e à retomada da aceleração do crescimento frente à crise o Brasil está enfrentando. Para isso, o DIEESE sugere que haja uma colaboração de todos os setores da economia, pois a ideia inicial do movimento se baseia numa série de ações que irão se desencadeando ao longo do tempo. Simultaneamente, este movimento buscará junto ao setor empresarial a construção de propostas para superar essa crise. “É fundamental para essa retomada de crescimento que seja feita uma ação imediata focada na recuperação do setor de petróleo, gás, construção e naval,” explica Clemente Ganz Lúcio, do DIEESE.

As propostas serão entregues ao Governo Federal e buscam evitar uma possível falência das empresas que são de fundamental importância para o País, mas que estão sobre as investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal. “Queremos a punição dos empresários envolvidos em corrupção, mas não podemos permitir a quebra dessas empresas que são tão importantes para o Brasil, geram milhões de empregos e têm impacto direto na nossa economia,” esclarece Clemente.

“A UGT concorda com a proposta de juntarmos o setor produtivo com os trabalhadores, para pensarmos as possibilidades para sair dessa situação e, devido a atual conjuntura, até discutir termos de um pacto social. Sem dúvidas os setores de petróleo, gás, construção e naval são estratégicos para a economia de qualquer país e, automaticamente, se conseguirmos aprovar medidas que fortaleçam esses setores, outros segmentos da cadeia produtiva serão beneficiados,” diz Canindé Pegado, secretário Geral da UGT.

Os casos de corrupção investigados e divulgados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, não são graves somente pelo fato do desvio de dinheiro, que é público e poderia estar sendo destinado para outros fins como a geração de novos postos de trabalho, por exemplo, mas desvendou que o país não tem estrutura para lidar com casos como esse.

Segundo o advogado Valfrido Junior, que buscou esclarece um pouco desse processo jurídico que envolve as 29 empresas investigadas pela Polícia Federal, o Brasil vive uma crise política, econômica, mas que é antes de tudo uma crise jurídica, porque apesar do país ter muitas leis e regras, não tem uma solução de continuidade para o problema de empresas envolvidas em casos de corrupção. “Hoje estamos aqui reunidos para tratar, efetivamente, da retomada do emprego no Brasil justamente porque temos um setor inteiro que padece por falta de soluções que decorrem do combate estrutural a corrupção. Estamos falando de todo o projeto nacional de infraestrutura que pode ruir, pode acabar,” diz.

O que o jurista ressaltou é que essas são empresas que se colocam entre o estado financiador e o poder concedente, então elas não conseguem existir sem o empréstimo maciço de recursos públicos do estado. Elas não conseguem desenvolver sua atividade e, portanto desenvolver infraestrutura para o país sem pegar dinheiro com BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica ou fundos de pensão. A investigação que essas empresas estão sofrendo, de imediato lhes impõem um problema cadastral e elas não conseguem mais tomar dinheiro emprestado, pois para os órgãos que faziam seu pagamento, pararam de pagar por entenderem que foram lesadas e precisam ser indenizadas, o que significa sentença de morte para essas empresas.

Dessa forma, não só os envolvidos nos casos de corrupção estão sendo punidos, mas a classe trabalhadora e toda uma cadeia econômica que dependia da saúde financeira dessas empresas, o que pode gerar um colapso financeiro para o País.

“O problema é que estamos vivendo uma crise de confiança, já que houve um rombo no patrimônio do povo brasileiro, então não podemos mais tapar o sol com a peneira, pois roubaram da população a esperança de um dia melhor. Não dá mais para aceitar o discurso de que a culpa disso tudo vem da eleição passada, da vitória de A sobre B. O movimento sindical precisa mostrar que está atento quanto a isso,” diz Gelson Santana, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre (STICC).

Para Canindé Pegado, é preciso ver que a crise brasileira por todos os ângulos. Existem as questões relacionadas à corrupção, mas também tem os casos de renúncia fiscal promovida pelo Governo para ajudar diversos setores da nossa economia. “Essa semana foi publicada a informação que 342 bilhões de reais é o montante equivalente a renuncia fiscal que o governo promoveu e não tivemos, praticamente, nenhuma garantia junto aos trabalhadores. A indústria automotiva, que foi uma das mais beneficiadas, só em 2015 aparece com mais de 180 mil pessoas desempregadas, então as centrais sindicais precisam se atentar a esse ponto para estancar essa sangria, que em alguns casos, ainda vai até 2019,” conclui o dirigente ugetista.

No encontro foi debatido que é preciso criar propostas para a retomada e sustentação do crescimento econômico a médio e longo prazo, em que haja uma solução institucional para que Petrobrás, empreiteiras, setor naval e de gás possam retomar suas atividades produtivas, o que requer uma saída política, porque é preciso ajuste na institucionalidade brasileira para que a legislação possa dar andamento ao processo punitivo dos envolvidos, liberando a capacidade produtiva dessas empresas para que elas continuem suas atividades.

No dia 3 de dezembro, durante um encontro com o setor empresarial, em São Paulo, será elaborado um conjunto de propostas de crescimento como um todo, com destaque para esse setor de petróleo, gás, construção e naval.

No Rio de Janeiro, no dia 8 de dezembro, o movimento fará uma concentração na sede da Petrobrás para apresentar a proposta para a sociedade e iniciando uma grande mobilização.

Já no dia 9 de dezembro, a unidade das centrais sindicais, podendo contar com a presença do setor patronal, entregará ao governo e as organizações em Brasília o conjunto das propostas desenvolvidas pelos setores patronal e trabalhista.

Fonte: UGT

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