Itaú e Bradesco devem elevar lucros mesmo em meio à recessão


O cenário não poderia ser pior para os bancos: recessão, desemprego em alta, aumento da inadimplência e redução no crédito corporativo alimentada pelo maior escândalo de corrupção da história brasileira.

Isso não deve acarretar lucros menores para os dois maiores bancos do país em valor de mercado, Itaú Unibanco Holding SA e Banco Bradesco SA, segundo analistas do Goldman Sachs Group Inc., do Deutsche Bank AG e do Bank of America Corp.

As maiores margens de lucro sobre a carteira de crédito compensarão as provisões maiores para devedores duvidosos e o lucro por ação pode dar um salto de até 15%, dizem os analistas.

"A taxa básica de juros tem subido e os empréstimos estão desacelerando, portanto há menos competição e mais espaço para aumentar as margens de crédito", disse Tito Labarta, analista do Deutsche Bank, em entrevista, em Nova York.

O spread entre o custo de captação e de juros cobrados nos empréstimos dos bancos atingiu 28,3 pontos porcentuais em fevereiro, maior nível desde outubro de 2011, segundo dados do Banco Central divulgados na quarta-feira. O crédito se expandiu 11% nos últimos 12 meses, menos que os 14% dos 12 meses anteriores porque os bancos públicos, que vinham sustentando o crescimento do crédito no Brasil, se retraíram.

A Operação Lava Jato, investigação de corrupção que envolve a Petrobras, a petroleira controlada pelo Estado, e suas fornecedoras, congelou os empréstimos para muitas empresas porque os bancos se tornaram cautelosos com a prisão de executivos e depois que 23 dessas firmas foram proibidas de apresentar ofertas para novos contratos da Petrobras. Contudo, Labarta disse esperar que os dois bancos sofram apenas um "impacto marginal" com o incremento das taxas de inadimplência corporativa.

Exposição ao setor A exposição do Bradesco aos setores mais afetados -- petroquímicos, petróleo, gás e construção -- representa cerca de 10% do portfólio total de crédito da empresa com sede em Osasco, São Paulo, segundo seu relatório de lucros de 2014. No Itaú, que tem sede em São Paulo, a fatia é de 6,1%, segundo o Deutsche Bank.

A taxa de inadimplência corporativa provavelmente tenha atingido seu pico no segundo semestre do ano passado, disse Luiz Carlos Angelotti, diretor administrativo e de relações com investidores do Bradesco. Ele disse esperar que o indicador atinja níveis normais no segundo semestre do ano e caia do atual 0,8% para 0,4%.

Clientes escolhidos Haverá pressão sobre o portfólio de crédito para pessoas físicas devido à alta do desemprego, embora ele estime que as taxas de inadimplência continuem estáveis porque o Bradesco tem sido mais seletivo na escolha dos clientes nos últimos anos.

"Cerca de 30% do nosso lucro líquido vem da divisão de seguros, que tem uma receita muito estável -- o crédito representa cerca de 27%", disse ele e acrescentou que o Bradesco espera entregar neste ano aos acionistas um retorno de 20% sobre o patrimônio, o mesmo do ano passado.

É provável que o incremento estimado em pagamentos atrasados de pessoas físicas e corporações afete mais os bancos estatais do que os privados, disse Mario Pierry, analista do Bank of America em São Paulo.

Ele estima que os lucros bancários no Brasil darão um salto de 10% a 15% neste ano, enquanto Labarta, do Deutsche Bank, prevê que os lucros por ação subirão 13% no Bradesco e 14% no Itaú.

Empreendimento com a Cielo O Banco do Brasil, que é estatal e é o maior credor da América Latina em ativos totais, provavelmente registrará um aumento de 35% de seu lucro líquido, impulsionado pelo ganho pontual de R$ 3,2 bilhões de uma joint venture com a Cielo SA, disse Labarta. Sem esse efeito, o lucro por ação aumentaria apenas 5% neste ano, segundo Labarta.

O Banco Santander Brasil, uma unidade do maior banco da Espanha, se juntará ao Itaú e ao Bradesco ao registrar um aumento nos lucros neste ano, previu Labarta, dizendo que o lucro líquido provavelmente dará um salto de 27% na empresa.

Banco do Brasil, Santander e Itaú preferiram não comentar.

"Os lucros dos bancos vão crescer, mas a um ritmo muito mais lento neste ano que em 2014, caindo de 25 por cento para não mais que 6% ou 7%", disse Carlos Macedo, analista do Goldman Sachs em Nova York. Ele disse que está "cauteloso" em relação ao setor devido à fragilidade da economia brasileira.

Fonte: UOL

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